O presidente do BPI acredita que a subida dos juros da dívida portuguesa vai ter consequências no mercado do crédito e pode agravar as condições de financiamento dos bancos.
A subida dos spreads é "inexorável", disse Fernando Ulrich à margem da apresentação do programa de responsabilidade social do banco, o BPI Capacitar.
"Quando a dívida do melhor risco de um pais que é a República sobe de preço, mais tarde ou mais cedo isso vai contaminar todos os riscos de crédito desse pais e é isso que já está a acontecer ou vai acontecer em Portugal, como é normal", explicou.
Ulrich admite assim que os bancos possam vir a aumentar os 'spreads' dos novos contratos de crédito. "Não sei quando nem em quanto", mas "é normal" que a banca reflicta a subida dos juros da dívida porque também já está a comprar dinheiro mais caro.
Para o presidente do BPI essa subida vai "depender de cada banco e de cada crédito".
Ulrich subscreve as declarações do presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), que disse ontem, em entrevista à RTP, que os bancos nacionais poderão aumentar os spreads cobrados nos novos contratos de crédito, já este mês, em "0,5% ou até mais".
Isto porque, explicou, no ano passado a banca pagava a nível internacional 'spreads' de 1% e na sexta-feira passada este valor era de 2,2% a 2,5%, para créditos de 20 a 30 anos.