Dívida

Risco de Portugal cai para mínimos de dois meses

Eudora Ribeiro 
10/03/10 16:47


O presidente do IGCP já comentou que a emissão de hoje foi favorecida pela apresentação do PEC.

O presidente do IGCP já comentou que a emissão de hoje foi favorecida pela apresentação do PEC.

O prémio que os investidores estão a exigir para comprarem dívida portuguesa em vez das obrigações alemãs já caiu quase 50% desde os máximos de Fevereiro.

O ‘spread' das obrigações portuguesas a 10 anos está hoje a recuar 5 pontos para negociar nos 88,7 pontos, o nível mais baixo desde 14 de Janeiro, e muito abaixo do pico 162,64 pontos atingido em Fevereiro, em pleno rebentar da crise de dívida dos países do sul da Europa.

Também o preço dos ‘credit default swaps' (CDS) sobre obrigações nacionais a cinco anos está em queda, um sinal da menor percepção do risco dos investidores em relação à capacidade da República Portuguesa cumprir os seus compromissos.

Os CDS portugueses estão hoje a recuar 4,3 pontos para 110,75 pontos. O mesmo é dizer que por cada 10 milhões de euros investidos em dívida lusitana, o investidor tem de desembolsar 110,75 mil euros anuais para se proteger com este 'seguro'.

Tudo isto num dia em que o IGCP vendeu 990 milhões de euros em obrigações do Tesouro, acima dos 750 milhões de euros previstos. O juro fixou-se nos 4,17%, abaixo do prémio pago na emissão anterior, mas mesmo assim a procura superou a oferta em 1,6 vezes. Isto apesar de a casa de 'rating' Fitch ter ontem ameaçado com uma descida do 'rating' de Portugal, no rescaldo da apresentação do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) português.

O presidente do IGCP, Alberto Soares, afirmou hoje que "a emissão correu muito bem" e que "a forte procura é resultado de alguma estabilidade nos mercados, e foi também favorecida pelas recentes notícias, como o plano do Governo para cortar o défice orçamental [PEC]".