O mercado aguarda a decisão da administração da PT sobre o dividendo extraordinário.
Analistas esperam remuneração generosa. Zeinal afirma que o passado é “exemplo para o futuro”.
A poucas semanas da formalização da venda da participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo à Telefónica, por 7,5 mil milhões de euros, cresce a expectativa em relação ao possível dividendo extraordinário que a operadora liderada por Zeinal Bava entregará aos seus accionistas. Os analistas têm avançado várias previsões neste domínio, sendo que a mais recente, do Bank of América, aponta para dois mil milhões de euros.
"Tendo em conta o historial da PT (6,7 mil milhões de euros pagos aos accionistas desde 2002), acreditamos que a empresa não vai desapontar os investidores", refere um ‘research' dos analistas do Bank of America (BoA), divulgado na semana passada.
Os especialistas consideram que a PT deverá, como esperado, reinvestir metade do encaixe de 7,5 milhões de euros na compra de uma participação de pelo menos 23% da operadora brasileira Oi. E consideram que a PT deverá aplicar entre um a dois mil milhões de euros na remuneração aos seus accionistas, o que poderá ser feito através de um dividendo extraordinário ou por via de um programa de recompra de acções (‘share buy back') semelhante ao que foi lançado como resposta à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonaecom, em 2006.
Este ‘research' do BoA vai ao encontro da opinião de especialistas de outras casas de investimento, como o Millennium IB.
"A nossa análise conclui que considerando um objectivo de ter um rácio de dívida sobre o EBITDA [lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações] de 1,9 vezes, em 2011, a PT ficará com 1,3 mil milhões de euros para remunerar os seus accionistas (1,50 euros por acção)", defendeu a analista Alexandra Delgado, do banco de investimento do BCP.
Certo é que saber o valor do dividendo extraordinário que a operadora liderada por Zeinal Bava deverá entregar aos seus accionistas tem sido a "pergunta de um milhão de dólares" desde o anúncio, a 28 de Julho, da venda à Telefónica da participação na Vivo.
A decisão deverá ser tomada em Outubro, mas a gestão da PT tem mantido silêncio sobre o assunto. Questionado a este respeito na semana passada, numa entrevista concedida à "TVI24", Zeinal Bava limitou-se a afirmar que a empresa vai manter a sua tradição a nível de remuneração accionista. "O nosso passado é um excelente exemplo para o que pode vir no futuro", disse o presidente-executivo da operadora.
"O mercado está à espera de um valor superior aos mil milhões, isso é certo", disse ao Diário Económico um responsável de uma gestora de activos estrangeira, que controla uma participação na PT.
Um negócio milionário
- A venda da participação da PT na Vivo, à Telefónica, estará formalizada até ao fim de Setembro, por um valor que ficou acima das previsões da generalidade dos analistas: 7,5 mil milhões de euros.
- A PT deverá utilizar este encaixe para investir na Oi (3,8 mil milhões de euros), abater dívida e pagar um dividendo extraordinário aos accionistas.
- A decisão sobre o dividendo extra deverá ser tomada em Outubro e a gestão da PT tem mantido silêncio.
- A expectativa de dividendo extraordinário levou à entrada no capital da PT de vários investidores institucionais estrangeiros, nas últimas semanas.