Passos Coelho quer um novo contrato com as instituições de solidariedade social mas frisa que dar a mão aos privados “não é estar contra o Estado”.
"Um dos objectivos mais relevantes para o PSD nos próximos tempos é a economia social", referiu ontem Passos Coelho no discurso de encerramento da Universidade de Verão, em Castelo de Vide.
Por isso, o PSD vai apresentar na Assembleia da República um projecto de Lei de Bases de Economia Social, de forma a que o Estado possa dar mais apoio às empresas de solidariedade social sem fins lucrativos que estão no terreno, explicou o líder dos social-democratas. "Quando o Estado atribui um subsídio, que é dinheiro de todos os nós, não pode ficar com esse dinheiro apenas para a oferta pública", acentuou Passos Coelho. Por isso, a proposta do PSD pressupõe um novo contrato com as instituições de solidariedade social, sem que isso signifique, contudo, que defender as organizações privadas seja estar contra o Estado ou os serviços públicos, frisou Passos Coelho.
Para o politólogo António Costa Pinto, a tónica que o líder do PSD colocou na economia social é uma forma de suavizar a proposta de revisão constitucional dos social-democratas, evitando assim a conotação de "liberal". Até porque, diz Costa Pinto, "ao PSD não interessa oferecer ao PS uma associação virtuosa com o Estado social". O que acabou mesmo por acontecer, na opinião de Pedro Adão e Silva: "A proposta de revisão constitucional foi uma benesse a José Sócrates caída do céu", defende o sociólogo.
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