A Presidente Dilma Rousseff citou uma passagem da canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, e o 25 de Abril em Portugal ao defender um modelo de desenvolvimento mais "progressista" e "democrático".
"Na América do Sul, como diz aquela canção da Revolução dos Cravos, da Revolução Portuguesa, "O povo é quem mais ordena'", declarou Dilma Rousseff num discurso na quinta-feira à noite durante o Fórum Social Temático (FST) de Porto Alegre.
De acordo com a mandatária, na maioria das nações latino-americanas está em curso um novo modelo de desenvolvimento, que oferece respostas mais efetivas aos desequilíbrios internacionais.
"Nossos países hoje não sacrificam mais sua soberania frente às pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de riscos", enfatizou a Presidente.
Dilma Rousseff considerou ainda que "grande parte do mundo desenvolvido" está a enfrentar a crise com "medidas fiscais regressivas", que provocam consequências sociais e ambientais "nefastas".
A líder brasileira admitiu que não ficou "satisfeita" com os resultados da última Cimeira do G-20, realizada em Cannes, no ano passado, e advertiu para o facto de que as "receitas fracassadas" na América Latina nas décadas de 1980 e 1990 estão hoje a ser propostas novamente aos países europeus.
"O modelo conservador que levou nosso país à estagnação, à perda de espaço democrático e soberano, aprofundando a pobreza, o desemprego e a exclusão hoje está sendo proposto novamente para a Europa", afirmou.
Na sua análise, a próxima Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável - Rio+20 - deverá focar suas discussões na busca de um desenvolvimento sustentável baseado no combate à pobreza.
"A Rio+20 vai ser um momento importante de processo de renovação de ideias. O que estará em debate é um modelo de desenvolvimento capaz de articular o crescimento e a geração de emprego", defendeu.
Dilma Rousseff discursou na quinta-feira à noite durante uma sessão realizada no âmbito do Fórum Social Temático de Porto Alegre, que se insere no processo do Fórum Social Mundial.
O evento surgiu em 2001 como uma alternativa ao Fórum Económico Mundial, que anualmente reúne chefes de Estado e governo na cidade suíça de Davos, no mesmo período.
A Presidente escolheu participar do FST em detrimento de Davos, onde o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, António Patriota.