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Prejuízo do Sporting quase duplica para 26,46 milhões

Eduardo Melo 
09/09/10 07:32


José Eduardo Bettencourt tem pressa de reforçar os capitais da SAD, para afastar a actual situação de insolvência técnica.

José Eduardo Bettencourt tem pressa de reforçar os capitais da SAD, para afastar a actual situação de insolvência técnica.

A reestruturação financeira do Sporting será hoje aprovada em Assembleia Geral da SAD do clube.

Deverá ser tudo menos pacífica a Assembleia Geral (AG) de hoje da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Sporting, no auditório do Estádio José Alvalade, destinada a debater e votar a reestruturação financeira do clube. Desde logo, uma das medidas essenciais à melhoria da saúde das contas da sociedade, presidida por José Eduardo Bettencourt, carece de aprovação pelos sócios do clube: a emissão de obrigações convertíveis em acções (VMOC) até 55 milhões de euros.

A acusação é feita por João Mineiro, economista e promotor do movimento "Ser Sporting", que apela à intervenção da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários sobre a matéria e que junta a este elemento de natureza procedimental - ausência de votação por dois terços dos sócios em AG - um outro: a perda de controlo da gestão da SAD pelo Sporting. No entender de Mineiro, a emissão em causa "consubstancia uma venda a prazo de uma percentagem relevante da participação do clube na Sporting SAD".

Para acautelar o controlo accionista, José Filipe Nobre Guedes, administrador financeiro da empresa, tem resposta: "Se necessário, será exercida uma ‘call' sobre obrigações convertíveis a emitir, de modo a que, na sua conversão em acções, o SCP mantenha os 50% no capital da SAD". Isto é, o SCP aproveita esta operação de recapitalização financeira para baixar o nível de controlo accionista na SAD dos actuais 68% para 50%, tal como foi o compromisso assumido "com os sócios do SCP", nota Nobre Guedes - que atesta que as medidas propostas no processo de reestruturação foram aprovadas em AG do clube.

Direitos de voto insuficientes

João Mineiro, antigo membro da candidatura de Paulo Pereira Crsitóvão à presidência do clube, volta à carga e prova que o que está em causa são os direitos de voto e não a posição accionista na sociedade desportiva. Hoje, o clube controla todas as acções do tipo A (16,3%), que beneficiam de equivalentes direitos de voto, e 52% de acções do tipo B, com os votos limitados a 10%, como determinam os estatutos. O clube de Alvalade controla assim apenas 26,3% dos direitos de voto. E nesse particular, a declaração de Nobre Guedes relativamente à diminuição do controlo accionista para 50% não deixa Mineiro tranquilo. "Três accionistas minoritários podem mandar mais que o Sporting", adverte. Também José Jesus Oliveira, antigo responsável do conselho fiscal do clube, critica. "Esta reestruturação financeira não é uma solução estrutural para o clube. Não é engenharia financeira é carpintaria financeira", diz.

Prejuízo quase duplica

A SAD do Sporting apresentou quase o dobro do prejuízo verificado na época futebolística de 2008/09, atingindo os 26,4 milhões de euros no exercício findo em 30 de Junho de 2010. Segundo convocatória de Assembleia Geral, emitida ontem, o Sporting vai propor a aprovação do Relatório e Contas com um "resultado líquido negativo de 26,461 milhões de euros, enquanto o anterior se situava em 13,349 milhões. Números negros que obrigaram à negociar do passivo com a banca, BES e BCP. O desequilíbrio permanente entre receitas e despesas colocaram a SAD sportinguista em situação de insolvência técnica. Para sair desse regime, a empresa propõe a redução do capital dos actuais 42 para 21 milhões e um reforço do capital até 39 milhões. O segundo ponto acordado com a banca prevê a emissão de VMOC até 55 milhões de euros, os quais irão integrar o capital no momento em que forem convertidos em acções. Esta operação será concluída até a Dezembro. Conjugando estas duas operações financeiras, são 73 milhões de euros que ajudarão a reduzir o passivo da SAD - era de 144 milhões em Março último.