Justiça

Poder judicial acusado de ter agenda política

Susana Represas 
06/03/10 00:05


Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, voltou ontem a fazer declarações polémicas sobre a relação entre a política e a justiça.

Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, voltou ontem a fazer declarações polémicas sobre a relação entre a política e a justiça.

Marinho Pinto e secretário de Estado da Justiça provocaram ontem uma onda de críticas depois de terem afirmado que há contaminação política no Ministério Público.

As declarações de Marinho Pinto de que "há sinais que o poder judicial está a funcionar segundo uma agenda política" provocaram uma acesa troca de palavras entre representantes da justiça, mas foram as declarações do secretário de Estado da Justiça, que ontem confirmou já ter tido "indícios" de influências políticas na Justiça, que subiram o tom das críticas. João Correia afirmou que, "em termos gerais", a acusação de Marinho "não corresponde à verdade". No entanto, em declarações à Rádio Renascença, o membro do Governo admitiu que "não quer dizer que, pontualmente, não surja um ou outro caso claramente contaminado" e concluiu que, "como advogado, tive algumas suspeições, mas não as posso revelar".

Um dia antes, no Parlamento, Marinho tinha afirmado que "basta ver o discurso público de alguns magistrados para ver que eles têm uma agenda política". Palavras ditas na mesma semana em que o Conselho Superior do Ministério Público reafirmou a determinação em impedir a "contaminação do MP por considerações de ordem política", referindo-se às posições processuais sobre o caso Face Oculta.