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Obama promete corte de impostos à classe média

Bárbara Silva 
09/09/10 07:26


O anúncio de Obama foi feito no dia em que Bernank disse não haver risco de recessão.

O anúncio de Obama foi feito no dia em que Bernank disse não haver risco de recessão.

Ontem, o Presidente dos EUA apresentou em detalhe o seu novo pacote de estímulo à economia no valor de 275 mil milhões.

Sem meias palavras e numa operação de charme ao povo americano, o presidente americano Barack Obama disse ontem no Ohio que é tempo dos cortes de impostos à classe média, da era Bush, serem "permanentes". Mas sublinhou que o país não se pode dar ao luxo de gastar 550 mil milhões de euros com os mesmos benefícios aos mais ricos, indo contra a proposta dos republicanos. "Não devemos manter reféns os cortes nos impostos da classe média", disse Obama, acrescentando que a sua Administração está pronta para dar benefícios fiscais a quem ganha menos de 196.000 euros por ano (97% dos americanos).

Enfraquecido pela taxa de popularidade mais baixa de sempre (41%), o presidente entrou esta semana a matar na campanha eleitoral com três novas propostas para mostrar à opinião pública que é capaz de melhorar o crescimento económico dos EUA. Em digressão eleitoral, ontem Obama viajou para o Ohio (um Estado fortemente afectado pela crise) para explicar ao pormenor as três novas iniciativas económicas: investimentos em infraestruturas no valor de 39,2 mil milhões de euros; incentivos fiscais de 157 mil milhões de euros para que as empresas invistam mais até ao final de 2011; e 78,4 mil milhões de euros para projectos de Investigação e Desenvolvimento.

No total, as propostas de Obama implicam um novo investimento de 275 mil milhões de euros, quase metade do pacote de estímulo de 638 mil milhões de euros. Desta forma, a Administração Bush espera criar novos empregos, aumentar a confiança das empresas e dos consumidores, além de somar pontos a favor dos democratas para as eleições intercalares, perante o risco de perda de maioria no Congresso.

Com a tensão política ao rubro em Washington, torna-se agora mais improvável que o Congresso consiga aprovar cada uma das três propostas a tempo de ajudar a economia e também os democratas, antes das eleições de 2 Novembro. "Mesmo que o Congresso não aprove as novas propostas antes das eleições, o presidente e a sua equipa económica acreditam que são ideias importantes", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

As propostas de Obama foram, no entanto, recebidas com pouco entusiasmo pelos próprios democratas, pelos republicanos e também pelos analistas, que dizem tratar-se de "muito pouco, demasiado tarde". No campo dos democratas, até os mais leais a Obama estão preocupados com a incapacidade do presidente em travar o desemprego e diminuir o défice federal.

Por seu lado, os republicanos não têm qualquer intenção de ajudar Obama a aprovar no Congresso um novo estímulo, sob pena de perderem a actual vantagem nas intenções de voto (entre 51 e 53%) para as intercalares. A oposição defende que o gigantesco pacote de estímulo de 2009 nunca conseguiu cumprir os objectivos propostos. Quanto aos analistas políticos e económico, "too little, too late" é a expressão usada para descrever as mais recentes iniciativas económicas de Obama.


Três novas medidas económicas

1 - 39,2 mil milhões para infraestruturas
Esta semana, Barack Obama já anunciou um plano de investimentos públicos em infraestruturas, para os próximos seis anos, no valor de 50 mil milhões de dólares (39,2 mil milhões de euros). A Casa Branca assegura que o plano permitirá construir 241.401 km de novas estradas, 6.437 km de ferrovias e cerca de 300 km de pistas em aeroportos.

2 - 157 mil milhões em incentivos fiscais
Outra medida para estimular a economia dos EUA passa por investir 157 mil milhões de euros em incentivos fiscais para que as empresas invistam mais capital até ao final de 2011. Em troca terão 100% de isenção tributária em todos os novos investimentos na construção de fábricas e compra de equipamentos. A Casa Branca diz que 1,5 milhões
de empresas irão beneficiar.

3 - 78,4 mil milhões para investir em I&D
A completar o novo "pacote de estímulo" da Casa Branca na ordem dos 350 mil milhões de dólares (275 mil milhões de euros), Obama quer destinar 100 mil milhões (78,4 mil milhões de euros) à ampliação e adopção permanente de um crédito tributário para as empresas levarem a cabo projectos de Investigação e Desenvolvimento (I&D).