Champalimaud foi um financiador improvável, escreve o NY Times.
O jornal escreve que Portugal está prestes a abrir um dos melhores centros de investigação do cancro no mundo e com um financiador improvável: António Champalimaud.
O The New York Times dedicou ontem um artigo ao Centro Champalimaud, que será inaugurado a 5 de Outubro e vai acolher 500 investigadores e 100 médicos e desenvolver investigação na área das neurociências e da oncologia.
O jornal falou com Raghu Kalluri, director do Centro e professor em Harvard, Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, um descendente de Champalimaud e outros especialistas para sustentar que o Centro poderá tornar Lisboa num dos principais focos mundiais de investigação do cancro e, ao mesmo tempo, argumentar que a filantropia americana quase não existe no Velho Continente.
O Centro, escreve o jornal, "marca uma mudança significativa numa nação com 11 milhões de habitantes e sem história de eminência científica". Os fundadores do Centro, continua o NY Times, "esperam encorajar mais investigadores a trabalhar na Europa em vez de nos Estados Unidos". E Raghu Kalluri não tem dúvidas: "Este lugar está desenhado para atrair os melhores do mundo".
Parte do artigo de Raphael Minder, jornalista do NY Times, destina-se também a opor o espírito americano - onde grande parte dos centros de investigação têm financiamento privado - à cultura europeia, onde a investigação está sobretudo pendente de subsídios governamentais.
Por isso, defende o jornalista citando Leonor Beleza, o donativo de António Champalimaud foi uma grande surpresa para todos em Portugal, até porque até então não havia registo de grandes obras de caridade financiadas por um dos homens mais ricos que Portugal conheceu.