O presidente executivo da Mota-Engil, Jorge Coelho, conta com mais uma unidade fabril, em Angola.
A fábrica da Novicer foi ontem inaugurada pelos presidente da República português e angolano.
"Kamulango, Kamulango eh, Kamulango, Kamulango hacuma de néne". As vozes ouvem-se ao longe enquanto Cavaco Silva e José Eduardo dos Santos se encaminham para a entrada da nova fábrica da Mota-Engil no Cacuaco, província de Luanda. Os bailarinos dançam ao som das vozes, do batuque e do chocalho e vão repetindo a mesma ladainha, "obrigada, obrigada, agradecemos a sua presença". A tradução do bailundo, um dos dialectos angolanos é feita por Ana Maria Vieira Dias, coreógrafa e directora técnica no Ballet Tradicional Kilandokilo. A dança é guerreira e no intervalo da letra saem das gargantas dos bailarinos os sons guturais que fazem pensar no princípio de um combate. "Esta é uma dança tradicional da região do Cunene que era dançada antes de um combate ou na cerimónia de sucessão de um rei", explica sobre o barulho do batuque.
Para a Mota-Engil que iniciou ontem a produção na Novicer, uma fábrica de tijolos vermelhos, este é também o início de um combate, mas com mercado garantido. A fábrica, que ocupa cerca de 10 hectares, irá produzir mais de dois milhões de tijolos por mês e surge como resposta aos desafios lançados por José Eduardo dos Santos na sua última visita oficial a Portugal: Garantir a industrialização de Angola, assegurar produção interna e reduzir o recurso a importações. Isso mesmo lembra António Mota, ainda antes dos presidentes de Portugal e Angola pisarem a passadeira vermelha e cortarem a fita. Ao todo, a construtora portuguesa investiu, através da Mota-Engil Angola (uma parceria com um consórcio local composto pela Sonangol, Banco Privado Atlântico, Finicapital e Globalpactum), 36 milhões de dólares (27,8 milhões de euros) e prepara-se para investir mais 15 milhões de dólares numa fábrica de trefilaria (produtos metálicos), em Benguela. Assim cheguem as autorizações necessárias de Luanda.
Para já, a nova fábrica tem a bênção do governo angolano. A presença de José Eduardo dos Santos, que chega uns dez minutos antes de Cavaco Silva, confirma-o. Depois de cortada a fita vermelha e já nos terrenos da fábrica os convidados seguem numa longa fila para o edifício central, do lado direito de quem entra. Lá dentro está maquinaria, as estufas de secagem e os fornos. Mas é ainda cá fora, em pequenas elevações de terra a perder de vista que começa o processo. É ali que se vai buscar a matéria-prima, terra com propriedades argilosas, para fazer cada um dos tijolos que depois será usado para satisfazer a procura do mercado interno.