Luís Silva, CFO da Mota-Engil.
Construtora espera que o Estado angolano regularize todas as dívidas com a empresa até ao final do primeiro trimestre do próximo ano.
"O recebimento das dívidas referentes aos projectos em Angola está já acordado com as autoridades angolanas, sendo de prever a total regularização até ao fim do primeiro trimestre de 2011", disse hoje Luís Silva, CFO da Mota-Engil, à Reuters.
A declaração surge no dia em que a construtora apresentou uma queda de 66% para 19,59 milhões euros nos lucros semestrais que saíram, ainda assim, acima das estimativas e comprovaram o aumento do contributo de Angola nos negócios da Mota.
As vendas no país africano progrediram 53% para 221 milhões de euros entre Janeiro e Junho. Alguns analistas questionaram, contudo, a evolução deste negócio dado o atraso nos pagamentos das dívidas da parte do Estado angolano.
O Governo angolano anunciou recentemente que pagou já a 100 construtoras, locais e estrangeiras, 1,28 mil milhões de dólares (mais de mil milhões de euros) de um total estimado de 6,8 mil milhões de dólares (5,3 mil milhões de euros).
Em Julho, o presidente José Eduardo dos Santos garantiu, durante uma visita de Cavaco Silva ao país, que pagaria às grandes empresas de construção, incluindo a Mota-Engil e a Teixeira Duarte, cerca de 40% da dívida este ano e o restante dentro de um a dois anos. Prazo esse que a Mota-Engil espera ver cumprido mais cedo.
As acções da Mota-Engil reagiram em alta aos resultados e fecharam hoje com ganhos de 1,88% para 2,22 euros.
Apostar no Brasil e vender activos não-core
No mesmo depoimento, Luís Silva admitiu que continua em estudo a entrada da Mota-Engil no sector da construção no Brasil, "sendo de prever que seja possível tomar decisões de investimento durante o ano de 2010".
Ao mesmo tempo, explicou, continua a ser estudado "o desinvestimento em activos não estratégicos que não contribuem para os resultados operacionais"
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