Bolsas

Fraco crescimento nos EUA trava bolsas europeias

António Sarmento 
27/01/12 16:45


A maior economia do mundo cresceu abaixo do esperado e tingiu de vermelho as praças europeias.

Depois de uma manhã sem tendência definida, os mercados definiram-se à custa do desempenho do PIB americano, que cresceu abaixo do estimado pelos analistas. Assim, os principais índices financeiros não aguentaram a pressão vendedora e fecharam a desvalorizar em torno de 1%.

O PSI 20, o principal índice do Euronext Lisbon, encerrou a perder 0,85%, cotando nos 5.434, 89 pontos. No mesmo sentido, o francês CAC 40 (-1,14%), o espanhol Ibex (-0,37%) e o italiano MIB (-1,02%) também fecharam no vermelho.

Hoje, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos revelou que a maior economia do mundo teve um crescimento anualizado de 2,8% no último trimestre, quando os economistas consultados pela Bloomberg estimavam um aumento na ordem dos 3%.

Em relação ao último trimestre, o desempenho do PIB dos EUA foi de 1,8%. Em 2011, o Departamento do Comércio divulgou que a maior economia do mundo cresceu 1,7%, abaixo dos 3% de 2010.

"O crescimento foi mais baixo do que esperado e é baseado numa expansão monetária de 10% ao ano. Estamos aqui a criar um mundo virtual. A economia está a expandir-se à custa da expansão de moeda", diz Pedro Lino, CEO da Dif Broker, ao canal ETV.

O tema da Grécia continua a centrar as atenções dos investidores. O Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, reafirmou em Davos que o governo grego e os seus credores devem chegar a um acordo para evitar um ‘default' do país helénico.

No entanto, o BCE anunciou há poucos minutos que não vai fazer parte de um acordo entre governo e credores privados para aliviar a dívida grega. "O acordo restringe-se ao envolvimento do sector privado e o BCE é, claramente, um não privado", disse Joerg Asmussen, membro da comissão executiva do Banco Central Europeu, à agência Reuters.

Na Europa soube-se também que o desemprego em Espanha aumentou no último trimestre de 2011, face aos três meses anteriores, estando no nível mais elevado em 15 anos.

Foi neste contexto que a praça lisboeta fechou com 11 cotadas a negociar no vermelho. A liderar as perdas estiveram as acções da Galp, que perderam 2,6%, até aos 12,76 euros.

A petrolífera portuguesa anunciou hoje que a venda refinada de produtos petrolífero teve uma queda homóloga de 1,1% para 4,2 milhões de toneladas.

No sector bancário, o Banco Espírito Santo caiu 2,17%, cotando nos 1,30 euros. No mesmo sentido, o BPI caiu 1,16%.

Em "contra-maré", o BCP ganhou 0,71% e o Banif seguiu inalterado.

A travar maiores ganhos em Lisboa estiveram ainda as acções da EDP (-0,98%), Portugal Telecom (-1,48%) e REN (-0,71%).

Do lado dos ganhos, destaca-se a subida da EDP Renováveis, que valorizou 1,85%, cotando nos 4,40 euros. A Zon Multimédia (+ 1,03%), Sonae (+ 0,44%) e Sonae Indústria (+ 0,76%) também escaparam à pressão vendedora.