No segundo trimestre, voltou a ser o consumo privado a puxar pelo PIB. O Estado gastou mas não ajudou e a procura externa também não se sentiu.
As famílias foram o pilar que segurou o crescimento da economia na primeira metade de 2010. O consumo privado continuou no segundo trimestre a ser o principal motor de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), tal como tinha sucedido no início do ano. O que confirma, dizem os economistas contactados pelo Diário Económico, que vem aí um abrandamento económico até final do ano, à medida que a austeridade for pesando cada vez mais no bolso dos portugueses.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu ontem ligeiramente em alta o crescimento do segundo trimestre. Entre Abril e Junho, a riqueza do país avançou afinal 1,5% em termos homólogos e 0,3% em cadeia, mais uma décima do que era apontado na estimativa anterior. Números que "reforçam a confiança da trajectória de recuperação económica que está actualmente em curso", considera o ministro da Economia, Vieira da Silva.
Mas é um crescimento feito com "aumento do consumo e mais endividamento", afirma Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI. É que o consumo explica 0,2 pontos dos 0,3% de crescimento em cadeia. A procura externa líquida - exportações menos importações -, essa tem um impacto nulo no PIB. Além disso, o consumo público, apesar de ter aumentado, teve um "impacto virtualmente nulo" no produto, diz o INE, porque o aumento esteve sobretudo "associado à importação de equipamento militar" - o INE não especifica que equipamente é esse mas, ao que o Diário Económico apurou, está relacionado com a compra dos submarinos e dos veículos pandur.
Ou seja, "o défice externo continua a aumentar sem que isso se repercuta no crescimento", explica Eduardo Catroga, economista e ex-ministro das Finanças, porque o impacto positivo do consumo público, na medida em que é consumo de bens importados, "é compensado por um impacto negativo na procura externa". Catroga lembra ainda que, "ao contrário dos outros países, em Portugal nem as famílias, nem o Estado, estão a poupar mais. E isto não é rumo estrutural para a economia".
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