Mensagem da ETA chegou através de um vídeo à cadeia britânica BBC.
A mensagem da ETA chegou através de um vídeo à cadeia britânica BBC.
Três etarras, de rosto tapado e uma voz feminina, prometeram acabar com as acções armadas do grupo separatista, que nos últimos 40 anos causaram cerca de 820 mortos.
A decisão terá sido tomada há meses, segundo o comunicado verbal, mas há dúvidas se é o fim temporário da violência ou mais uma trégua parcial da ETA. Já em outros momentos, os etarras anunciaram o cessar-fogo, ainda que tenham sempre abandonado o processo de paz e alguns tenham servido mesmo para a organização se rearmar.
Por exemplo, em Agosto de 2009 a ETA tinha confirmado o fim das suas actividades, depois de pequenas explosões em espaços públicos de Maiorca, mas em Março deste ano reinvindicou um atentado mortal a um polícia francês. E em 2006, as negociações de paz com o governo de Zapatero foram interrompidas violentamente com o atentado ao aeroporto madrileno de Barajas.
Este anúncio, no entanto, surge num momento em que o grupo separatista vive uma fase debilitada com várias detenções de dirigentes nos últimos meses. Portugal esteve no circuito da operação ETA, com o demantelamento de um ‘comando' da organização em Óbidos.
O Governo de Madrid foi o mais cauteloso na reacção ao vídeo, sublinhando que o mais importante seria a promessa de um abandono definitivo da campanha. "Não anuncia nem a entrega de armas, nem o fim da violência. Não é suficiente", segundo fonte governamental citada pelo "El País".
Também o ministro do Interior da região Basca, Rodolfo Ares, disse que o anúncio da ETA era "desadequado", acrescentando que a única declaração que as autoridades espanholas aguardam é a renúncia definitiva à actividade terrorista.
No comunicado, os etarras deixaram no ar "que se o governo de Espanha tem vontade, a ETA está disposta, hoje como ontem, a acordar os mínimos democráticos necessários para empreender o processo democrático". O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, iniciou ontem uma ronda pelos outros partidos políticos para analisar o comunicado da ETA e a resposta de Madrid aos etarras.