Empresa

Estradas de Portugal vende imóveis para cortar 10% da dívida

Nuno Miguel Silva 
11/03/10 07:40


Almerindo Marques na Estradas de Portugal tem sido marcada pela alienação de activos supérfluos, desde viaturas e máquinas até imóveis.

Almerindo Marques na Estradas de Portugal tem sido marcada pela alienação de activos supérfluos, desde viaturas e máquinas até imóveis.

A empresa está a reavaliar o património e espera encaixar 80 milhões de euros com a venda do edifício-sede, terrenos e outros prédios ainda este ano.

A Estradas de Portugal (EP) prevê encaixar receitas de 80 milhões de euros com a venda de património imobiliário ainda este ano. O Diário Económico apurou que esta é a verba indicativa inscrita no orçamento da empresa pública liderada por Almerindo Marques para o exercício de 2010 -e representa um esforço acrescido para conseguir verbas com activos que não geram receitas, agora que se prevê uma ligeira reanimação do mercado imobiliário em Portugal.Caso seja realizada na íntegra, esta verba permitiria abater em cerca de 10% o endividamento bancário da empresa no final de 2008 (910 milhões de euros), último ano em que a EP tem contas publicadas.

Questionada sobre este tema pelo Diário Económico, fonte oficial da EP disse apenas que, "uma vez que o orçamento [para 2010] ainda não foi aprovado, não é possível responder". Mas, o Diário Económico sabe que a equipa de Almerindo Marques já começou a desenvolver iniciativas no sentido de reavaliar os diversos activos imobiliários da empresa, em particular, do edifício-sede, junto à praça de portagens da ponte 25 de Abril, no sentido Norte-Sul.

Esta tem sido uma das constantes da gestão de Almerindo Marques: realizar receitas com a venda de património que não é imprescindível para a actividade principal da EP, que é gerir as concessionárias de estradas e a rede rodoviária nacional não concessionada. Activos que, além de não gerarem receitas, são muitas vezes origem de despesas extra, que sobrecarregam a deficitária estrutura de capitais desta empresa pública. Já aconteceu com os veículos e com as máquinas e agora pretende-se estender esta prática aos bens imóveis.