A excepção a esta tendência são os mercados emergentes. Futuro passa pelas obrigações.
"Foram precisos dez anos e dois ‘bear markets' de 50% para reverter este culto". A frase, do Citi, aponta para o fim de um ‘culto das acções' que, durante a segunda metade do século XX, levou os fundos de pensões a aumentar a exposição a acções acima de 50%, "sobretudo à custa das obrigações".
Agora, os papéis estão a inverter-se, refere o banco norte-americano numa nota de ‘research' divulgada ontem. E reflectem os receios dos investidores quanto ao que está para vir, nos mercados e nas economias.
As acções na Europa e no Japão estão a negociar com ‘dividend yields' mais elevados do que os das respectivas obrigações governamentais, refere o Citi. O que, acrescenta o banco, "reflecte os actuais receios do regresso de uma recessão ('double dip') e de uma deflação, mas é também uma profunda reavaliação de ambas as classes de activos. O culto da acção está morto. Viva por muitos anos o culto da obrigação".
Além disso, desde 2000, as acções globais tiveram um retorno de 4% (0,3% ao ano), enquanto as obrigações governamentais globais renderam 103% (6,9% por ano), refere o ‘research'. "A lista de factores que favorecem as obrigações é tão longa quanto a das acções nos anos 90", sublinha o banco norte-americano.
Apesar deste cenário, o Citi diz que "nem tudo está perdido para as acções globais"; por um lado estão criadas oportunidades para as empresas comprarem e, por outro, há os mercados emergentes, que continuam alheios a este ‘culto' que afecta os países desenvolvidos.
Enquanto os investidores convencionais poderão continuar vendedores de acções por mais algum tempo, refere o Citi, as empresas "têm os meios para aparecem como compradores", sobretudo as mega-capitalizações, nomeadamente através de operações de M&A (fusões e aquisições) e de recompra de acções (‘buy back').
Entretanto, os mercados emergentes continuam a viver uma realidade diferente. Segundo o Citi, estes permanecem "como uma refrescante excepção a estas tendências sombrias". O apetite dos investidores por acções "continua saudável", o financiamento por capitais próprios "é competitivo" relativamente ao financiamento através de dívida, os gastos de capital (‘capex') estão a aumentar. Ou seja, sublinha o Citi, "tudo se parece muito como os anos 90. As empresas e os investidores devem aproveitar enquanto dura".