O valor da dívida do Metro de Lisboa aumentou 5,1% em 2010 face a 2009, para um total de 3.812 milhões.
As empresas públicas estão a fazer contas ao endividamento e procuram, através do Tesouro e junto dos bancos, soluções que garantam o futuro financeiro.
As dificuldades de financiamento das empresas públicas estão a obrigar as administrações de algumas dessas companhias - como é o caso da Carris e da REFER - a negociar com os bancos nacionais e internacionais. O objectivo é encontrar novas soluções que podem passar pela renegociação dos prazos de pagamento das dívidas.
Fonte oficial da Carris confirma as tentativas de encontrar novo financiamento. Face à situação anormal dos mercados, "temos ponderado e discutido com a banca várias soluções possíveis, não tendo, infelizmente, até ao momento, sido concretizado qualquer uma", esclareceu o secretário-geral da transportadora, Luís Vale.
A empresa pública de transportes de Lisboa continua, no entanto, a desenvolver esforços para resolver a situação, reforça a mesma fonte oficial, sendo necessário obter, no mínimo, "66 milhões de euros, para assegurar o seu funcionamento financeiro até ao final do ano". O assunto está a ser analisado em articulação com o Estado.
Na Carris, este ano, vencem 74,5 milhões de euros em dívidas de médio e longo prazo, das quais uma parte já foi reembolsada, faltando 42 milhões até final de 2011. A dívida a curto prazo atinge 90 milhões de euros e, no final do ano, deverá cair para 64 milhões de euros. [CORTE_EDIMPRESSA]
Luís Vale afirmou que a dívida total da empresa chega a 716 milhões de euros, sendo que as necessidades de financiamento já são conhecidas do Estado. Por isso, "lançámos, um empréstimo de 110 milhões de euros para consolidar a dívida de curto prazo, para reembolsar um empréstimo de médio e longo prazo e para fazer face ao défice operacional, o qual, até ao momento, não encontrou financiador interessado".
O Diário Económico apurou junto de fontes do sector que a REFER - Rede Ferroviária Nacional estará a renegociar, com o aval do Estado, os créditos de curto prazo que contraiu junto dos bancos.
Confrontada com este cenário, fonte oficial da gestora da rede ferroviária não comentou directamente a questão. A mesma fonte adiantou apenas que "as medidas a tomar para fazer face às necessidades de financiamento da REFER estão a ser avaliadas pelas tutelas, pelo que não é oportuno divulgar informação sobre o assunto".
Segundo informação financeira da empresa, o montante da dívida de curto prazo, em 2010, ascendia a 1.345 milhões de euros num total de 6.043 milhões de euros.
O vice-presidente da CP, Alfredo Vicente Pereira, afirmou que este ano a empresa não tem emissões públicas cujo pagamento esteja para vencer. Sobre a opção de renegociar créditos de curto prazo junto da banca, Vicente Pereira comenta apenas que "temos mantido um bom relacionamento. Os créditos de curto prazo são em menor volume, na casa dos 140 milhões de euros". De acordo com Vicente Pereira, a empresa ainda tem linhas de crédito de curto prazo "negociadas e que não estão utilizadas com a banca nacional e estrangeira em Portugal, que rondam 100 milhões de euros".
O apoio vital do Tesouro
O vice-presidente da CP esclareceu que os principais pagamentos de emissões obrigacionistas, no valor de 325 milhões de euros, referentes a este ano já foram pagas. "Para as restantes, de cerca de 150 milhões de euros, a expectativa é que temos condições de cumprir. Se não tivermos capacidade própria, já está sincronizado com o Tesouro que teremos ajuda para cumprir", salientou Vicente Pereira.
No grupo Transtejo/Soflusa a dívida ascende a 132,3 milhões de euros, distribuída por médio e longo prazo no valor de 55 milhões de euros (cujo vencimento não será este ano) e por dívida de curto prazo em que 61 milhões dizem respeito aos bancos e 16,5 milhões ao Tesouro.
O presidente deste grupo, João Pintassilgo, adiantou ao Diário Económico que, nesta categoria, "este ano apenas se vencem 15 milhões de euros, sendo que prevemos regularizar com o apoio financeiro do Tesouro". João Pintassilgo afirmou ainda que, face ao défice operacional previsto para 2011, as necessidades de financiamento dependem das indemnizações compensatórias que virão a ser atribuídas.
Fonte oficial do Metro de Lisboa (ML) também afirmou que a informação relativa aos compromissos financeiros da transportadora, até ao final do ano, "está em análise entre a empresa e as respectivas tutelas, pelo que o Metropolitano não se irá pronunciar sobre os mesmos". No entanto, adiantou que, no final de 2010 a dívida do ML ascendia a 3.812 milhões de euros. Deste montante, 15,7% diz respeito a dívida de curto prazo e 84,3% a dívida de médio e longo prazo. "Esta última parcela beneficiava, na sua quase totalidade, de garantia do Estado Português", disse a mesma fonte.
Dívida dos CTT resulta sobretudo de valores a receber de operadores internacionais
A situação financeira dos CTT é bastante sólida quando comparada com as empresas do sector dos transportes. Segundo explicou fonte oficial da empresa ao Diário Económico, as responsabilidades dos Correios atingiam 31 milhões de euros a 31 de Dezembro. Este é o valor inscrito no balanço mas é uma conta corrente de "deve e haver", prendendo-se sobretudo com valores a receber ou a pagar a operadores internacionais. A 31 de Dezembro, a dívida total atingia 9,9 milhões de euros, dos quais 7,8 estavam relacionadas com ‘leasing' e os restantes 2,1 milhões de euros em dívida bancária. No entanto, segundo explicou fonte oficial da empresa, "esta dívida prende-se com o relacionamento normal com a banca". A mesma fonte acrescentou que os CTT têm uma situação "equilibrada", ou seja neste caso não faz sentido falar em refinanciamento. Os Correios são uma das poucas empresas do sector empresarial do Estado que dá dividendos ao accionista e tem resultados líquidos positivos. A empresa fechou 2010 com 56,3 milhões de euros de lucro, o que, ainda assim, representou uma quebra de 6,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Correios têm sido penalizados com a redução do serviços postal, que tem caído na ordem dos 3% ao ano nos últimos anos. Porém, esta quebra poderá ser maior ainda quando entrar em vigor a efectiva liberalização do serviço postal. Ainda assim, os Correios estimavam entregar ao accionista dividendos de 36,1 milhões de euros relativamente ao exercício de 2010. Nos últimos cinco anos houve um retorno de 214% do capital.