José Édison Franco, presidente da nova InterCement, quer levar o grupo aos 20 maiores da indústria mundial do cimento.
Maior accionista da Cimpor tem 2,6 mil milhões para comprar ou construir fábricas na América Latina e África.
A Camargo Corrêa, principal accionista da Cimpor com cerca de 30% do capital da cimenteira nacional, mudou o nome para InterCement. Esta alteração assenta numa estratégia mais vasta de internacionalização do grupo brasileiro, que passou pelo registo da nova marca em 43 países onde o grupo pretende investir, no mínimo, cerca de 2,6 mil milhões de euros (cerca de seis mil milhões de reais) até 2016.
José Édison Franco, presidente da nova InterCement, adiantou ao Diário Económico que "a meta com o reforço da internacionalização é chegar ao ‘top' 20 da indústria cimenteira mundial", sem consolidar os indicadores da participação qualificada de cerca de 30% na Cimpor. "Já hoje, contabilizando com um terço de capital que temos na Cimpor, estaríamos no ‘top' 20", adianta José Édison Franco.
O presidente da InterCement admite que esta estratégia de investimento em novos mercados internacionais poderá ser feita em associação com a Cimpor. E afasta qualquer hipótese de colisão entre os interesses de internacionalização da Cimpor e da Camargo Corrêa/InterCement. "Penso que a colisão nestes países entre a Cimpor e a InterCement não vai acontecer", alega. "Todas as decisões da Camargo Corrêa no conselho de administração da Cimpor têm sido tomadas com muito cuidado, com o objectivo de que todas as acções assumidas sejam para criar valor e não em detrimento da Cimpor. Acredito que essa colisão não vai acontecer, porque isso seria dar um tiro no pé", defende José Édison Franco.[CORTE_EDIMPRESSA]
Para o responsável, as futuras operações de reforço da internacionalização da InterCement nos diversos mercados "encontram-se em fase de sigilo" e poderão ser concretizadas de duas formas distintas: ou construindo fábricas de raiz ou adquirindo unidades fabris já em laboração. "Se pretendemos entrar por aquisição ou construindo unidades, o grupo tem as duas estratégias: podemos entrar nos diversos mercados com unidades novas, como estamos a fazer no Paraguai e em Angola. É uma alternativa que podemos usar em outros países", revela José Édison Franco.
O presidente da InterCement sublinha, porém, que a outra via é uma forte hipótese. "Existem empresas muito boas que deverão ser vendidas a curto prazo. Estão no controlo de famílias e nós temos de estar atentos porque estas empresas são potenciais criadoras de valor", assume José Édison Franco.
Um plano a dez anos
A InterCement tem hoje 16 fábricas e mais de cinco mil funcionários, estando presente no Brasil e na Argentina. Está a investir em novas unidades no Paraguai e Angola, estando o investimento avaliado, neste caso, em cerca de 205 milhões de euros. Além disso, é o maior accionista da portuguesa Cimpor, com uma participação de cerca de 30% do capital.
O grupo brasileiro fechou o último ano com vendas de 11,6 milhões de toneladas de cimento, planeando subir esse montante para 12,8 milhões de toneladas este ano. "Nós desenhámos um plano estratégico anual, olhando para os próximos dez anos, porque na indústria cimenteira o planeamento a longo prazo é fundamental. Uma operação demora quatro a cinco anos a entrar em funcionamento desde que se toma a decisão", explica.
Já o valor previsto de investimento de cerca de 2,6 mil milhões até 2016, adianta, poderá ser revisto em alta em função das oportunidades que surgirem e da própria conjuntura internacional. "É este o investimento que temos aprovado pelo conselho de administração, mas poderá haver revisão desse número", alerta José Édison Franco.