Concessionária

Brisa procura parceiro para operar nos EUA e Canadá

Nuno Miguel Silva 
10/10/11 00:05


A Brisa, liderada por Vasco Mello, está a apostar em novos mercados.

A Brisa, liderada por Vasco Mello, está a apostar em novos mercados.

Aliança deverá ser apresentada até ao final de Março de 2012 e poderá incluir o Canadá. Empresa já garantiu a operação de 14 concessões rodoviárias na Índia.

A Brisa voltou a considerar os Estados Unidos como uma prioridade na sua estratégia de internacionalização, mas desta vez quer centrar os seus esforços na vertente de operação e manutenção de concessões rodoviárias e não na componente de concessionária de auto-estradas.

Em declarações ao Diário Económico, Guilherme Magalhães, Director da Brisa para a área de Desenvolvimento de Negócio (área internacional), revelou que a empresa liderada por Vasco de Mello está a desenvolver conversações para encontrar um parceiro para o mercado americano, que poderá incluir o Canadá.

"A seguir à parceria para a Índia, a nossa prioridade é formalizar e anunciar num espaço de tempo relativamente curto uma parceria idêntica para o mercado americano. Estamos a desenvolver passos concretos, importantes, na definição daquilo que seria o perfil de um parceiro para o mercado americano", assegurou Guilherme Magalhães.

"A opção é ter um parceiro global e depois poderá haver ajustamentos locais com parceiros que acrescentem valor num determinado estado", precisou este responsável da Brisa. O responsável pela área internacional da Brisa assumiu que a meta é anunciar a parceria entre o final deste ano e o final do primeiro trimestre de 2012.[CORTE_EDIMPRESSA]

Guilherme Magalhães explicou a opção: "Vamos para uma parceria de maior dimensão, com alguém que até possa já ter feito algum investimento. Pensamos que é um caminho mais rápido e de maior compromisso. A contrapartida poderia dar-nos vantagem nas relações estado a estado, mas seria um caminho mais lento".

"Isto depois pode levar, em negócios concretos, a vir a ter parceiros locais, específicos, porque o Texas é diferente de Massachussets", acrescentou Guilherme Magalhães.

O director da Brisa esclarece que a preferência vai para parceiros americanos - "para estrangeiros, bastamos nós". A futura aliança poderá estender-se a toda a América do Norte e incluir o mercado canadiano.

Guilherme Magalhães adiantou também ainda que, consoante a dimensão de parceria que vier a ser constituída para a América do Norte, poderá ocorrer investimento por parte da Brisa, mas ressalvou que essa hipótese, a ocorrer, "será sempre numa perspectiva de ‘light capital' [investimento ligeiro]".

O responsável da Brisa esclareceu ainda que esta parceria vai deixar de fora a concessão que a empresa gere no estado do Colorado, a Northwest Parkway. "O assunto está desligado. A Northwest Parkway operadora poderá ser incluída neste acordo, mas não a concessionária. Mais para a frente, é eventual que estejamos interessados em encontrar um parceiro financeiro para a Northwest Parkway, mas o assunto está desligado desta parceria, até porque poderão ser parceiros de perfil diferente", garantiu Guilherme Magalhães.

14 concessões rodoviárias garantidas na Índia
Na área internacional, a Brisa está também a ganhar terreno no mercado indiano. Após a constituição de uma parceria com o conglomerado local Feedback - a Feedback Brisa - a empresa portuguesa garantiu com a concessionária Reliance um contrato na primeira metade deste ano para a operação e manutenção de uma ponte emblemática na Índia, em Bombaim, a Mumbai Sealink.

Este acordo estabelecido com outro conglomerado indiano, o grupo Reliance, evoluiu de forma muito positiva para a Brisa no final deste Verão, tendo a empresa portuguesa garantido que, gradualmente, irá passar a operar o conjunto de 14 concessões rodoviárias que a Reliance explora em diversos estados da União Indiana.

"Durante o Verão, a Brisa constituiu a Feedback Brisa One, uma empresa-filha detida a 51% pela Feedback Brisa e em 49% pela Reliance. Essas concessões irão gradualmente entrando para esta parceria de operação, à medida que os contratos forem vencendo", revelou Guilherme Magalhães.

Os contratos de operação e manutenção a prestar pela Brisa às concessões da Reliance, com uma extensão global superior a mil quilómetros, terão entre oito e 20 anos de duração. E Guilherme Magalhães admite que até ao final do ano surjam novos negócios do género para a Brisa na Índia, sendo a prioridade a operação e manutenção.


Internacionalização

Após a saída da República Checa e do Brasil e do falhanço na Rússia, Vasco de Mello aposta agora nos mercados internacionais da Índia, América do Norte, Turquia e Holanda, com destaque para a vertente de operação e manutenção.

Turquia
Na Turquia, a Brisa está a tentar operar em duas frentes. Em termos históricos, interessou-se inicialmente pelo processo de privatizações de concessões rodoviárias turcas. O processo foi novamente adiado, na quinta-feira, para Fevereiro próximo, uma decisão a que não deverá ser alheia a crise financeira internacional. O investimento é de cerca de cinco mil milhões de dólares. A Brisa continua atenta ao processo, mas decidiu abrir uma segunda frente de negócio. A participada BNV (com os holandeses da Nedmobiel), fez a assessoria para o ‘financial close' da auto-estrada que vai ligar uma cidade a sul de Istambul até Esmirna. Neste momento, existem conversações para que a Brisa garanta a operação desta auto-estrada com mais de 400 quilómetros.

Holanda
A participada BNV - Brisa Nedmobiel Ventures é uma parceria que partiu do mercado holandês, mas que funciona como uma antena da Brisa para negócios na vertente de manutenção e operação de concessões de auto-estradas em horizontes mais longínquos. "Faz o papel de levantador de caça", reconhece Guilherme Magalhães. Depois de ter garantido a gestão de dois esquemas de incentivo aos condutores para não utilizar vias congestionadas em hora de ponta - em Roterdão e em Utreque - a BNV está a negociar a extensão desses projectos de mobilidade com as autoridades holandesas, além de estar interessada em garantir novos contratos nesta área. Existem mais três esquemas de mobilidade semelhantes na Holanda, mas com piores resultados que os geridos pela BNV.

Novos mercados
A experiência adquirida em esquemas de mobilidade pela BNV na Holanda deverá ser aproveitada na Bélgica e no Reino Unido, mercados considerados prioritários. Na Bélgica, a grande aposta é apresentar a proposta e ganhar o contrato para o novo esquema de ‘road pricing' que o país pretende implementar. No Reino Unido, existem já várias conversações para encontrar parceiros que permitam concorrer à definição e apresentação de soluções de mobilidade para resolver os problemas de tráfego de Londres e de outras grandes cidades do Reino Unido. A actividade já desenvolvida pela BNV na Holanda e na Turquia levou-a já a ser convidada a apresentar as suas soluções em mercados como Marrocos, Rússia ou Israel, podendo surgir alguns negócios em breve.

Portugal
Em Portugal, poderão surgir hipóteses de aquisição nos próximos tempos. Mas, Guilherme Magalhães afasta qualquer hipótese nesse sentido por parte da Brisa. "Desde a nossa saída do Brasil [com a venda da participação na CCR], o nosso risco está todo concentrado em Portugal. Estamos completamente dependentes. No 'portfólio' de estradas, de Portugal já temos muito", defende o administrador da Brisa. Quanto a eventuais alienações, Guilherme Magalhães não se pronunciou. "A nossa prioridade é crescer em serviços [de operação e manutenção] fora de Portugal", sublinhou. Depois da venda da CCR, a Brisa disse ter disponíveis cerca de 300 milhões para investir em concessões de auto-estradas, mas a aposta na operação e manutenção exige investimentos mais ligeiros.