Concessionária

Brisa entra na corrida às auto-estradas turcas

Nuno Miguel Silva 
24/01/11 01:05


Concessão de dois mil quilómetros na Turquia inclui duas pontes em Istambul, e será lançado a partir de Fevereiro.

A Brisa está a preparar uma proposta para concorrer ao programa de concessão das auto-estradas turcas, que o governo de Ancara deverá lançar entre o final deste mês e Fevereiro. A concessionária do grupo José de Mello irá concorrer em consórcio, associada à Akfen, um dos maiores grupos empresariais privados da Turquia.

O governo turco já tinha manifestado há cerca de três anos a intenção de concessionar em regime de PPP - Parceria Público-Privada a gestão e manutenção do parque de auto-estradas do País, mas o eclodir da crise financeira internacional fez adiar o processo.[CORTE_EDIMPRESSA]

Estamos a falar de cerca de 1.724 quilómetros de auto-estradas, mais 246 quilómetros de ligações - contabilizando as duas pontes sobre o Bósforo, na capital, Istambul, conhecidas como as pontes Bogazici e Fatih Sultan Mehmet - e ainda 16 áreas de serviço.

A concessão incide sobre a operação das auto-estradas e a cobrança de portagens por um período de 25 anos.

Estes activos estão avaliados entre 2,9 mil milhões de euros e 3,7 mil milhões de euros, à cotação da passada sexta-feira. As receitas anuais previstas ascendem a cerca de 300 milhões de euros, dos quais 100 milhões são gerados pelas duas pontes sobre o Bósforo.

O governo de Ancara decidiu atribuir estas auto-estradas e pontes num só lote, que será adjudicado ao consórcio ou grupo que apresentar o preço mais elevado, no método ‘sui generis' de leilão competitivo, na sequência da disputa de lances sucessivos numa sessão especial agendada para o efeito e a transmitir em directo pela televisão turca.

Numa primeira fase, deverá ocorrer uma pré-qualificação para a sessão final de leilão competitivo. Esta pré-qualificação deverá ocorrer entre seis e oito semanas após a entrega das propostas, em envelopes, ou seja até ao final de Maio ou em Junho, antes das eleições gerais turcas, previstas para 12 de Julho. O ‘closing' financeiro do processo deverá ocorrer em Setembro.

A Brisa deverá participar no consórcio através de um veículo de controlo, sendo provável que o TIIC, um fundo de investimento participado pela concessionária, pelo BCP e pela Benjamin de Rothschild, também integre o agrupamento.

É expectável que acorra a este concurso um grande número de consórcios de empresas locais e de grupos estrangeiros com dimensão no sector das concessões rodoviárias, o que deverá elevar o preço final deste concurso. Está confirmada a participação dos italianos da Autostrade (ex-Autostrade) e fala-se também da entrada na corrida dos espanhóis da Abertis e dos australianos da MacQuarie. Diversos conglomerados turcos, como a Limak; Dogus Group e Global, deverão também apresentar propostas, associando-se entre si ou com grupos estrangeiros.

Tendo em conta a dimensão financeira desta licitação, é muito provável que a Brisa e Akfen integrem no seu consórcio uma ou mais entidades financeiras, como admite, aliás, João Bento, administrador responsável pela área internacional da Brisa, em entrevista ao Diário Económico.

"A Turquia tomou a decisão de privatizar a sua Junta Autónoma de Estradas, digamos assim, uma rede de cerca de dois mil quilómetros. E nós temos mantido a nossa relação estável com o nosso parceiro, a Akfen, o maior grupo de infra-estruturas da Turquia. Podemos ter mais parceiros. Teremos certamente mais parceiros. Na Turquia ou fora da Turquia", assegurou João Bento .

A Brisa decidiu investir até 300 milhões de euros nos mercados da Índia e da Turquia nos próximos três anos, sendo 200 milhões de euros o máximo a aplicar num só destes mercados. A Turquia, a par da Índia, foi eleita pela administração da Brisa como um dos dois mercados de eleição para a internacionalização futura da empresa, depois de a concessionária ter alienado a sua participação na brasileira CCR.