O presidente executivo da Cimpor, Francisco Lacerda, lidera há mais de um ano a cimenteira nacional.
O director de relações institucionais do grupo admitiu esta hipótese “no momento adequado”.
A estabilidade accionista na Cimpor parece ser difícil de concretizar. Mais de um ano e meio depois da saída da Teixeira Duarte do controlo da cimenteira nacional a possibilidade de uma oferta pública de aquisição (OPA) começa a ganhar terreno, com o principal accionista da empresa -a Camargo Corrêa - a admitir avançar com uma OPA.
O espectro de incerteza sobre o futuro da estratégia da Cimpor voltou ontem a adensar-se, na sequência das declarações de Kalil Cury Filho, director de Relações Institucionais do grupo Camargo Corrêa, actual accionista maioritário da cimenteira nacional com 32,9% do capital.
Kalil Cury Filho, questionado ontem sobre a possibilidade de lançamento de uma OPA à Cimpor por parte da Camargo Corrêa, não descartou essa possibilidade. "Isso é uma questão de análise estratégica de mais longo prazo que temos de analisar no momento adequado", admitiu, citado pela agência Lusa.
Contactada pelo Diário Económico, fonte oficial da Cimpor recusou comentar o assunto, adiantando que não tem conhecimento do lançamento de qualquer OPA. Também a Investifino, de Manuel Fino - accionista com 10% do capital - escusou-se a comentar o assunto.
Até ao fecho da edição, não foi possível obter um esclarecimento da Camargo Corrêa nem comentários de outros accionistas de referência da Cimpor, como a brasileira Votorantim, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos.[CORTE_EDIMPRESSA]
O responsável do grupo brasileiro integrou ontem a delegação da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, que teve uma audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, para discutir formas de ajudar Portugal a superar a crise.
"O nosso interesse é de que a Cimpor se fortaleça e todo o movimento que possa resultar no fortalecimento da Cimpor é do nosso interesse", disse Cury Filho. O mesmo responsável acrescentou, no entanto, que neste momento o objectivo da Camargo Corrêa na Cimpor passa por "fortalecer" a cimenteira portuguesa, assim como os "laços com os companheiros accionistas".
Kalil Cury Filho adiantou ainda que a Camargo Corrêa pretende fazer de Portugal uma plataforma para aumentar os seus investimentos nos países africanos de língua portuguesa. "O nosso grupo vê Portugal como um plataforma para ampliar os negócios na África portuguesa, em particular em Angola e Moçambique, nas áreas de engenharias e outros investimentos, como o cimento", explicou.
Sobre Angola e Moçambique, o mesmo responsável recordou que a empresa já tem "presença directa", no entanto quer "aumentar e Portugal pode ser parceiro estratégico", acrescentou.
A brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) lançou, a 18 de Dezembro de 2009, uma OPA sobre a Cimpor, que viria a fracassar, mas da qual resultou uma nova estrutura accionista. Além da Camargo Corrêa, a estrutura accionista da Cimpor conta também com a Votorantim 821,2%), Manuel Fino (10,7%), o fundo de pensões do BCP (10%) e a CGD 9,6%. Os restantes 15,6% de capital estão dispersos no mercado.