Francisco de Lacerda, presidente da Cimpor, viu as vendas no Egipto caírem mais de 10% devido à agitação social naquele país no início de 2011.
Mercados internacionais suportaram subida de 27,1% do lucro da empresa no primeiro trimestre.
A China e a Turquia, a par do Brasil, foram os principais motores do crescimento da facturação da Cimpor no primeiro trimestre do ano. O volume de negócios da cimenteira portuguesa cresceu 14,3% face ao mesmo período de 2010, ao atingir 47,7 milhões de euros.
A empresa registou um aumento de 68,3 milhões de euros de facturação nos primeiros três meses deste ano, em comparação com o primeiro trimestre de 2010. Para essa subida, os mercados da China, Turquia e Brasil contribuíram com 67,6 milhões de euros. O bom desempenho dos mercados internacionais reflectiu-se na subida de 27,1% do lucro, que no primeiro trimestre atingiu 57,9 milhões de euros.
Na China, a Cimpor vendeu 27,3 milhões de euros entre Janeiro e Março, mais 125,4% do que os 12,1 milhões de euros facturados nos mesmos meses de 2010. Em termos de toneladas, o crescimento de vendas da cimenteira nacional naquele mercado asiático foi de 45%, de 557 mil milhões para 808 mil milhões de toneladas. Com uma operação relativamente recente na China, iniciada em 2007, a empresa liderada por Francisco de Lacerda já só tem três países onde vende mais cimento que China, em termos de quantidade: Brasil (1,329 biliões de toneladas), Portugal (934 mil milhões) e Egipto (982 mil milhões).[CORTE_EDIMPRESSA]
"No caso da China, o aumento deve-se à forte procura e à operação desde Março de 2010 da fábrica de Zaozhuang", justifica a empresa no comunicado ontem divulgado. Além dos aumentos de vendas, o preço médio de tonelada de cimento vendida no primeiro trimestre de 2011 foi "cerca de 45% superior".
Na Turquia, a Cimpor vendeu 29,8 milhões de euros no período em análise (mais 50,3%) e mais 26,9% em toneladas (512 mil). Tal como no Brasil, o aumento de vendas da Cimpor na Turquia derivou do dinamismo económico do país, "onde o sector da construção tem sido um dos principais motores do crescimento".
A China passou ainda a ter uma contribuição positiva para o EBITDA (‘cash flow' operacional) empresa, com 4,4 milhões de euros no primeiro trimestre de 2011. A Turquia contribuiu com 3,8 milhões de euros para o EBITDA.
Apesar dos bons desempenhos da China e da Turquia, o principal mercado da Cimpor é o brasileiro, que é cada mais relevante na actividade da cimenteira portuguesa. Nos primeiros três meses deste ano, a Cimpor facturou 167,5 milhões de euros no Brasil, um crescimento de 34% face ao trimestre inicial de 2010. O peso da actividade da empresa no Brasil já é, assim, 30% superior ao valor de todas as operações do grupo, que está presente em mais 11 países.
Portugal, que até há poucos anos era o principal mercado da Cimpor, já só valia 18% da facturação do grupo no final do primeiro trimestre deste ano, com uma facturação de 96 milhões de euros e uma queda de produção de 3,%.
A crescente importância do Brasil na actividade da Cimpor pode também verificar-se pelo contributo deste mercado para a geração de EBITDA (‘cash flow' operacional). Dos 142,4 milhões de EBITDA no primeiro trimestre deste ano - mais 15,4% que em idêntico período de 2010 -, 49,9 milhões de euros foram conseguidos no Brasil, após um crescimento de 33,4%.