O banco BPI, liderado por Fernando Ulrich, vai fechar balcões até Junho.
O banco liderado por Fernando Ulrich justifica esta iniciativa com a quebra do negócio.
O BPI vai fechar 47 balcões até ao fim do primeiro semestre, avançou fonte da administração do banco ao Diário Económico. Esta redução da rede de agências surge numa altura em que o sector se vê afectado por uma forte crise de liquidez, que tem deixado as instituições financeiras numa situação delicada. Uma das exigências do Banco de Portugal é que os bancos, para fazer face ao fecho dos mercados como fonte de financiamento, procedam a uma drástica redução da alavancagem. O que na prática se traduz por um travão a fundo na concessão de crédito e num aumento dos depósitos. Perante este facto consumado, os bancos têm por isso assistido a uma redução do negócio, o que explica o encerramento de balcões.
Com o encerramento de balcões haverá uma redução de custos que não está ainda contabilizada. Mas está aqui incluída a saída de trabalhadores. Segundo fonte do banco, há três grupos de pessoas em análise: uns serão reintegrados noutros balcões (a maior parte); a outros será proposto a reforma antecipada e nos casos de contratos a termo, estes não serão renovados.
O encerramento de balcões é o primeiro passo numa situação de crise da rentabilidade. O facto de os bancos terem de aumentar o preço dos depósitos ao mesmo tempo que reduzem o crédito tem um efeito directo na margem financeira e como tal os resultados líquidos serão afectados.
O BPI é quem faz a redução mais drástica, mas não é o único. O presidente do BES chegou a admitir o fecho de alguns balcões, "não muitos", para ilustrar os esforços no sentido da contenção dos custos, admitindo também a realocação de funcionários e o corte nos custos dos serviços prestados ao banco por terceiros.
No caso do Santander Totta, o banco presidido por Nuno Amado anunciou que vai encerrar, a partir de Abril, 24 balcões no Porto e em Lisboa. A justificação dada é a de que o grupo está a racionalizar a rede. O BCP já este ano abriu um balcão em Sintra, depois de ter fechado2010 com menos 15 balcões.
Já o Montepio Geral, segundo o seu presidente, desde 2007 que estão a trabalhar "sem contar com os mercados financeiros internacionais", pelo que estão "muito centrados na captação de depósitos em Portugal, e na simultânea redução da carteira de crédito, sobretudo nos segmentos imobiliário e hipotecário. Não tendo também crédito concedido a instituições públicas". Pelo que não se sente pressionado a fechar balcões, senão no âmbito da reestruturação da rede depois da fusão com o Finibanco.
O acesso dos bancos portugueses ao mercado de dívida está fechado devido à degradação do rating da República. Os bancos precisam agora de fazer face à desvalorização dos colaterais (essencialmente dívida pública portuguesa) que usaram para garantir empréstimos. Para já os bancos têm vindo a reduzido o recurso ao BCE. No caso do BPI a 31 de Março já não tinham empréstimos do BCE. Em caso de necessidade os poderão voltar a comprar mais dívida pública portuguesa, ou no limite financiarem-se com empréstimos com garantia do Estado. Fontes do sector garantem que o Estado ainda tem nove mil milhões para conceder em garantias à banca.