Banca

BPI sobe lucros mas congela dividendos e reforça capital

Maria Teixeira Alves e Maria Ana Barroso 
27/01/11 00:05


Fernando Ulrich e a sua equipa deram ontem início à época de apresentação de resultados do PSI 20.

Fernando Ulrich e a sua equipa deram ontem início à época de apresentação de resultados do PSI 20.

O banco teve um lucro de 184,8 milhões de euros e vai aumentar o capital em 90 milhões de euros.

O BPI lucrou 184,8 milhões de euros no ano passado, mais 5,6% que em 2009 mas decidiu desta vez canalizar todos os resultados para reservas. É a primeira vez, desde que o banco é cotado, ou seja, desde 1986, que não serão distribuídos dividendos aos accionistas.

Esta retenção de resultados irá contribuir para um aumento de capital de 90 milhões a fazer apenas por incorporação de reservas que a gestão vai propor na próxima Assembleia Geral, de 27 de Abril. O presidente do banco disse, no início de Dezembro, que faria tudo para que o BPI não tivesse de fazer aumentos de capital por imposição da regulação, nomeadamente pelas novas regras de Basileia III. E que tão pouco iria pedir dinheiro aos accionistas para dar crédito. Apenas o faria para fazer cortes de custos.

Fernando Ulrich veio agora anunciar um reforço de capital financiado não por investimento dos accionistas mas por não distribuição de resultados aos mesmos. E justificou-o com a situação do País e as recomendações, nomeadamente do Banco de Portugal, para que a banca reforce o capital.[CORTE_EDIMPRESSA]

"Do ponto de vista da gestão do BPI não seria necessário fazer um aumento de capital; o banco tem rácios adequados", garantiu, lembrando, no entanto, que o banco não está sozinho. "O País está sob pressão, o que cria pressão também sobre os bancos". As recomendações do supervisor da banca, das agências de ‘rating' e das entidades europeias para que os bancos reforcem os seus rácios "merecem ser tidas em conta", disse Ulrich. "Quanto melhor for a fotografia, melhor para a banca e para a economia portuguesa".

O presidente do BPI fez questão de salientar que foram dadas indicações genéricas ao sector pelo Banco de Portugal, e não apenas ao banco que lidera, para esse reforço de solvabilidade.

No relatório de estabilidade financeira do Banco de Portugal de Novembro, o supervisor veio alertar para a provável necessidade de reforços de capital por parte da banca, entretanto negada pelo sector, nomeadamente pela Associação Portuguesa de Bancos. Desde então, a CGD anunciou nos últimos dias do ano um aumento de capital de 550 milhões de euros. Agora foi a vez do BPI.

Com a incorporação de resultados em reservas, o rácio de ‘core capital' do banco fica nos 8,7%, o Tier 1 nos 9,1% e o rácio total passa para 11,1%. De acordo com os últimos dados públicos, referentes a Setembro de 2010, o banco tinha um rácio de ‘core capital' de 8,2%, um Tier 1 de 8,7% e um rácio total de 10,8%.

Impostos ajudam resultados
Os impostos voltaram a beneficiar os resultados do BPI, que terminou 2010 com um crédito fiscal de 5,9 milhões de euros, por oposição a 2009, ano em que pagou 45,4 milhões de impostos.

Nas receitas, o banco até contrariou a tendência que tem marcado o sector de redução da margem financeira. No BPI subiu mais de 7%. Este efeito positivo foi anulado pela queda de 44,6% nos resultados de operações financeiras. Nos custos houve uma subida de 5% e a "culpa" foi das reformas antecipadas que custaram 36,1 milhões em 2010.

Este ano vão sair 65 colaboradores por reforma antecipada, o que deverá reduzir o total para cerca de 7.200 pessoas. Questionado sobre mais reduções, Ulrich disse que existe espaço para "conseguir produzir o mesmo negócio com menos pessoas". Por isso, o objectivo é estar, no final de 2011, "mais perto dos sete mil do que do valor actual".

A propósito das necessidades de financiamento do banco, Ulrich disse que o banco está confortável. Em 2010, reduziu o recurso ao BCE (baixou de 2,7 mil milhões para 1,2 mil milhões). E as necessidades de refinanciamento de dívida de médio e longo prazo são este ano de 400 milhões de euros.