Os líderes dos quatro maiores bancos nacionais foram ontem recebidos por Cavaco Silva.
BPI e BES vão pagar prémios de 2010 à gestão e colaboradores, mas o último reduziu-os. Já o BCP e a CGD decidiram não pagar, tal como no ano passado.
O BPI vai distribuir este ano, por conta do exercício de 2010, 21 milhões de euros dos resultados a todos os colaboradores. O que inclui os quadros médios e superiores (direcção) e a administração. Isto apesar de ter decidido não distribuir aos accionistas dividendos, mas sim novas acções de um aumento de capital que será feito por incorporação dos resultados. O banco liderado por Fernando Ulrich distribui assim 11,4% do lucro de 2010 (184,4 milhões de euros) aos trabalhadores e gestores.
Não foi possível saber que parte destes 21 milhões de euros serão canalizados para a administração do banco, uma vez que essa é uma decisão a tomar pela Comissão de Remunerações, mas em 2009 estava definida uma percentagem máxima de lucros consolidados do exercício para a remuneração variável. Ou seja, não podia ser distribuído aos administradores, sob a forma de remuneração variável, mais de 1,5% desse lucro consolidado.[CORTE_EDIMPRESSA]
Apesar de manter este ano a remuneração variável, o BPI desceu em 60% essa componente salarial em 2008, referência que se tem se vindo a manter desde aí.
Na segunda-feira, o presidente do BES fez questão de frisar que vai reduzir os prémios de gestão e trabalhadores, ao mesmo tempo que desce a remuneração para o accionista em 10%.
Em termos de dividendos o BES vai distribuir de 12,6 cêntimos por acção, menos 10% do que em 2009. O que justifica a queda dos prémios aos trabalhadores: "quando há redução é para todos", disse Ricardo Salgado. O presidente do BES garantiu que "vai reduzir e já" os prémios da gestão e dos trabalhadores e que o banco já "antecipou alguns custos em 2010". Desta forma Ricardo Salgado terá pretendido destacar a actuação do BES face ao BPI, que decidiu não distribuir dividendos em numerário aos seus accionistas. As explicações de Ricardo Salgado sustentam a sua decisão de manter a estratégia de remuneração accionista, distribuindo 28,8% dos lucros de 2010 (menos que em 2009 onde distribui 31,3% dos lucros).
É de recordar que o BES já tinha cortado os bónus aos administradores e directores em 40%, em 2010, referente ao lucro de 2009. Nessa altura o banco tinha alterado nos estatutos a remuneração variável de no máximo 5% dos lucros individuais para 2% dos lucros consolidados.
Como se sabe, o BdP sugeriu que os bancos portugueses retivessem os lucros de 2010 na medida do necessário para reforçar os fundos próprios. Mas o BES justificou a distribuição de dividendos com a necessidade de reforçar capitais na holding ESFG.
O casos do BCP e da CGD são diferentes. Esta administração do BCP, que entrou em 2008, nunca recebeu bónus. Nesse ano foi cortado em 50% os prémios aos colaboradores e a administração ficou a zero em termos de remuneração variável. Em 2009 os directores (quadros médios e superiores) do BCP também ficaram sem bónus. Santos Ferreira justificou então a decisão com um ROE (rentabilidade dos capitais próprios) baixo. "Toda a gente no banco se esforçou muito, mas isso não chega para que haja direito a bónus (de 2009). O ROE foi baixo e nós próprios (administradores) também não tivemos bónus", disse o presidente do BCP. Este ano, segundo o Diário Económico soube, vai repetir-se o procedimento. Ou seja, zero de remuneração variável para a administração e quadros médios e superiores. Ao mesmo tempo o BCP deverá, pela primeira vez desde 2000, não distribuir dividendos, para reforçar os fundos próprios.
A Caixa, pelo facto de ser um banco público que está sujeito às medidas de austeridade do Governo, decidiu não pagar bónus a todos os gestores do grupo, nem referente à actividade de 2010, nem referente à de 2011. Em 2009 o banco tinha pago 3 milhões de euros em bónus aos gestores.