Fernando Ulrich tem equipas externas a olhar para as contas do seu banco, mas por enquanto desconhece quaisquer conclusões dessa análise.
O resultado das auditorias que a Ernst & Young e a PWC estão a fazer aos bancos só está previsto para 2012.
Fernando Ulrich ainda não tem um ‘feedback' da análise que os auditores da Ernst & Young e os inspectores do Banco de Portugal estão a fazer aos activos do BPI. Falando à margem da inauguração do novo laboratório de Bioengenharia de Células Estaminais e Medicina Regenerativa, o CEO do BPI admite que antes da divulgação dos resultados globais para todos os oitos bancos em análise - que está agora previsto para o primeiro trimestre de 2012 - venha a ter alguma informação sobre essa avaliação.
Como se sabe, a troika delegou no Banco de Portugal, que por sua vez contratou auditores externos, a avaliação aos activos dos bancos, para verificar se estão bem contabilizados. Um dos pontos vulneráveis da banca portuguesa prende-se com o nível de colaterais que cobrem os empréstimos, sobretudo para a compra de acções. À medida que as acções caem, os bancos têm de ir junto dos seus clientes pedir para reforçarem os colaterais que garantem o mesmo empréstimo, caso contrário tem de constituir provisões. [CORTE_EDIMPRESSA]
Esta auditoria que está a ser feita a oito bancos - CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Banif, Montepio Geral e Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo - está especialmente focada nas relações contratuais dos bancos com os grandes clientes, de modo a avaliarem a exposição ao risco segundo novos critérios de prudência. Está a ser avaliado o actual valor do património que serve de garantia a empréstimos e a confirmar se estão livres de ónus ou encargos (que impeçam a venda em caso de execução).
Os auditores escolhidos pelo BdP foram a Ernst & Young, que estão com quatro bancos, e a Price Waterhouse Coopers, que estão com outros quatro.
O facto de, no último relatório da troika, o prazo para a apresentação de conclusões a esta auditoria ter sido alargado para o primeiro trimestre de 2012, alivia os bancos este ano. É que da auditoria pode sair uma reclassificação das imparidades, agravando os rácios de capital. E nesse sentido o pouco prazo que resta até ao fim do ano seria um obstáculo para o reforço de capitais para cumprir a regra dos 9% de core capital mínimo. Isto é, o core capital dos bancos este ano ainda não será afectado pela reclassificação das imparidades que pode surgir da auditoria às carteiras de crédito dos bancos. Ricardo Salgado, presidente do BES, havia já alertado para essa questão, defendendo que se da análise resultasse a necessidade de um aumento de capital seria muito difícil fazê-lo ainda em 2011.
Já Santos Ferreira, presidente do BCP, tem dito não esperar "grandes surpresas" da análise da troika.