No dia em que a Fitch veio alertar para um possível corte do 'rating' de Portugal, a bolsa nacional fechou em queda, pela segunda sessão.
O PSI 20 recuou hoje 0,72% para 7.860,11 pontos, no dia em que faz um ano que as bolsas norte-americanas negociaram em mínimos de mais de 12 anos no rescaldo da crise financeira.
Desde essa altura, o índice Dow Jones já subiu cerca de 62%. Hoje, os principais índices dos EUA estão novamente em alta.
Do lado de cá do Atlântico, as principais bolsas europeias fecharam sem uma tendência clara. O londrino FTSE e o espanhol IBEX35 encerraram no vermelho. Já o alemão DAX e o parisiense CAC40 subiram.
Em Lisboa, o PSI 20 foi condicionado pela apresentação do PEC, revelado ontem pelo Executivo de Sócrates, pelo alerta da Fitch para um possível corte da avaliação da dívida de Portugal e ainda pelo facto de a Moody's ter ontem alertado para a necessidade de mais provisões na banca nacional.
BCP: os investidores ficaram hoje a saber que a CMVM aplicou uma multa de 75 mil euros ao banco liderado por Carlos Santos Ferreira devido a factos que aconteceram em 2005 e 2006. O mercado também foi hoje informado que a filial do BCP na Grécia sofreu uma quebra de 40% nos lucros de 2009. Além disso, o banco foi um dos visados pelo alerta de ontem da Moody's, que avisou que o enfraquecimento da economia nacional pode ter impacto na banca portuguesa. Os títulos afundaram hoje 1,89% para 0,77 euros.
BPI e BES: as acções dos dois bancos também fecharam no vermelho, num dia em que os principais indicadores de dívida nacionais voltaram a dar sinais de uma maior desconfiança da parte dos investidores em relação à dívida pública portuguesa. Os bancos são os mais penalizados com o aumento do custo de financiamento do Estado português, o que decorre nomeadamente da subida do preço de fazer um seguro contra o incumprimento da República de um Estado. As acções do BPI recuaram 1,79% enquanto o BES deslizou 0,25%.
PORTUGAL TELECOM: a operadora liderada por Zeinal Bava foi ontem multada em 40 mil euros pela CMVM, devido a comunicações ao mercado em 2007, a propósito da existência de contactos entre a empresa portuguesa e accionistas da operadora brasileira Tele Norte Leste (Telemar). Na sessão de hoje, as acções desceram 1,32% para 8,06 euros.
GALP: num dia em que os preços do petróleo até estão em alta, as acções da petrolífera portuguesa recuaram 1,44% para negociar nos 12,35 euros. A empresa liderada por Ferreira Oliveira faz parte da lista de privatizações no âmbito do PEC, que foi ontem revelado pelo Governo. Na edição de hoje, o Diário Económico dá conta de um ‘divórcio' entre Américo Amorim e Isabel dos Santos, dois accionistas da Galp, no mercado de cimentos angolano.
MOTA-ENGIL: fechou a recuar 0,65% para 3,22 euros, mas chegou a cair quase 4% durante a sessão, depois de se ter ficado ontem a saber que a construção das linhas do TGV entre Lisboa/Porto e Porto/vigo vão ficar adiadas por dois anos.
CIMPOR: foi um dos poucos títulos do PSI 20 que conseguiu escapar às perdas do PSI 20. A cimenteira avançou 2,41% para 5,57 euros, depois de o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, ter dito hoje, citado pela Bloomberg, que os activos da Cimpor estão entre os melhores do mundo. A CSN, que não conseguiu ser bem sucedida na OPA que lançou sobre a empresa portuguesa, quer agora crescer no mercado do cimento brasileiro.