Retalho

Biedronka serve de base à expansão a Leste da Jerónimo Martins

Gisa Martinho 
28/07/11 00:05


A Jerónimo Martins, liderada por Alexandre e Pedro Soares dos Santos, lucrou 143,8 milhões de euros entre Janeiro e Junho.

A Jerónimo Martins, liderada por Alexandre e Pedro Soares dos Santos, lucrou 143,8 milhões de euros entre Janeiro e Junho.

O presidente da Biedronka acredita que a marca polaca da Jerónimo Martins “é um conceito vencedor” em qualquer país. Mas tem dúvidas sobre a Ucrânia.

O negócio do ‘hard discount' polaco será o ponto de partida da Jerónimo Martins para entrar nos mercados de Leste. "Somos muito fortes nesta região e fazia sentido a expansão partir daqui para outros países nesta zona", assume o presidente executivo da Biedronka, Tomasz Suchanski, que em entrevista ao Diário Económico reconhece que o "grupo está a pensar expandir para outros países e a Biedronka é um conceito vencedor em qualquer lado".

O Leste europeu tem merecido uma atenção renovada do grupo Jerónimo Martins nos últimos meses. A Ucrânia é um dos três novos mercados que o grupo está a estudar entrar, a par dos Estados Unidos e do Brasil. A Polónia, como principal motor diplomático na região do Leste europeu, é uma possível base estratégica para a expansão do grupo liderado por Alexandre Soares dos Santos nos países vizinhos. Eslováquia e República Checa partilham fronteiras com o território polaco e nas proximidades aparece a a Roménia, Hungria e Bulgária, Estados-membros que pertencem ao clube da União Europeia.

O mercado ucraniano é constituído por 48 milhões de pessoas e partilha fronteiras com a Polónia. Mas apesar do potencial de consumidores ser atraente, Tomasz Suchanski mostra-se apreensivo. "A marca Biedronka, 100% polaca, funciona na Polónia mas se calhar não vai funcionar bem na Ucrânia", comenta o presidente da empresa, que defende que se pode transferir "o conceito, mas não a marca". A instabilidade política e o facto de a economia ucraniana, segundo o presidente da Biedronka, estar "muito relacionada e dependente da Rússia" torna uma entrada na Ucrânia, neste momento, "muito difícil". [CORTE_EDIMPRESSA]

Há seis meses no comando da cadeia Biedronka, Suchanski mantém-se focado na operação polaca que representou 60% da facturação da Jerónimo Martins no primeiro semestre do ano.

"Somos líderes de mercado, não só em termos de lojas, vendas mas também em termos de preços no mercado polaco. A nossa estratégia passa por produtos altamente seleccionados, mas com o preço mais baratos de mercado", explica o gestor.

Biedronka sem planos para entrar em bolsa
Há anos que circulam rumores no mercado sobre a possibilidade e a Biedronka poder dispersar capital em bolsa. No entanto, Tomasz Suchanski vê poucos benefícios na entrada da empresa em bolsa.

"Nunca se diz nunca. Se calhar de futuro vamos ter uma situação em que precisaremos de dinheiro para expandir. É uma opção que vamos considerar, a nível do grupo e não aqui na Polónia. Neste momento, somos ‘self-financing', gerimos caixa suficiente para as nossas necessidades de expansão. Não estou a ver grandes vantagens em entrar na bolsa" defende o presidente executivo da empresa.

Com capacidade para se financiamento, o crescimento da Biedronka passa ainda pela diversificação dos activos. E à semelhança da Jerónimo Martins, em Portugal, a empresa polaca também está em fase de testar a entrada em outras áreas.

A Biedronka já tem em carteira uma rede de 28 farmácias e testa agora a aceitação da marca Hebe (iniciais das palavras Health and Beauty), na área das drogarias.

Excluída dos planos de expansão da empresa está a entrada na actividade da restauração. "Na Polónia vende-se cerca de oito vezes menos no canal Horeca [hotéis, restaurantes e cafés] que em Portugal. Isto significa que este mercado tem de se desenvolver mais e vai demorar tempo", explica o presidente da empresa polaca.