Banca

BES obtém mais-valia de 15 milhões com venda do Saxo Bank

Maria Teixeira Alves 
26/08/11 00:05


Ricardo Salgado para reforçar o ‘core capital’ do BES para 9% até ao fim do ano, precisa de mais de 600 milhões de euros.

Ricardo Salgado para reforçar o ‘core capital’ do BES para 9% até ao fim do ano, precisa de mais de 600 milhões de euros.

Operação com fraco impacto no ‘core capital’ do BES que terá de subir em mais de 600 milhões.

BES encaixou 47,5 milhões de euros com a venda de 3,7% do Saxo Bank. O que tem um franco impacto no core capital do banco.

Esta venda deu ao banco liderado por Ricardo Salgado uma mais-valia (face ao valor investido) de 15 milhões de euros, que irá também ajudar aos lucros do BES. Em comunicado o banco explica que "com a venda de 3,7% obteve um retorno de aproximadamente 15 milhões de euros, descontando a opção".

O Saxo Bank foi vendido ao TPG Capital, numa operação em que o fundo privado norte-americano adquiriu outras participações que lhe permitem ficar dono de 30% do banco ‘online' dinamarquês. Para além do BES também a Espírito Santo Financial Group vendeu uma participação de 3,7%.

O TPG terá pago pela participação conjunta do Grupo Espírito Santo cerca de 95 milhões de euros, tendo em conta o preço pago pela fatia dos 30% (560 milhões de dólares).[CORTE_EDIMPRESSA]

Todas as operações de venda de activos que o Banco Espírito Santo está a fazer têm um único objectivo: melhorar o rácio de ‘core capital', quer pela via do capital, quer pela via dos activos ponderados pelo risco. O ‘core capital' do BES em Junho era de 8,2%, e os activos ponderados pelo risco de 67 mil milhões de euros. Só para subir em 1% esse rácio de fundos próprios de base são precisos 670 milhões de euros. As alternativas para melhorar o ‘core capital' não são muitas, até porque o banco não terá muitas mais participações para vender. O banco tem ainda uma participação na EDP de 2,11%, mas ontem José Maria Ricciardi garantiu que "para já, não vendiam", bem como uma participação na PT de 10,7%, que o banco tem procurado manter.

O BES, tal como os restantes bancos do sector, terá de chegar ao fim do ano com um ‘core capital' de 9%, no mínimo. Por isso, os analistas são unânimes em considerar que, apesar de haver várias operações em curso de venda de carteiras de crédito, é inevitável que o BES tenha de fazer um aumento de capital ainda este ano.

No entanto, o BES poderá ter adiado um anúncio do aumento de capital por causa da vinda da ‘troika'. O facto de os bancos estarem a ser alvo de uma análise exaustiva dos seus activos, por equipas da ‘troika', impede decisões quanto a operações de reforço de capital. Até porque poderão haver reajustamentos ao nível das provisões para risco de crédito, que podem influenciar a dimensão de um aumento de capital.

Os analistas do sector estimam que a maior fragilidade que a ‘troika' poderá encontrar na banca portuguesa possa estar na sub-colaterização de empréstimos, sobretudo os que foram concedidos para a compra de acções. Mas fontes do sector lembram que os bancos portugueses não foram alvo das circunstâncias que afectaram os bancos irlandeses e espanhóis, nomeadamente a bolha imobiliária. Pelo que uma avaliação justa deverá revelar que os bancos portugueses têm um adequado nível de provisionamento.

Os resultados finais destas reavaliações dos activos só serão conhecidos a 30 de Novembro. Até lá, não deverá haver novidades em termos de operações de reforço de capital dos bancos.