Salgado (act.2)

BES não conta recorrer ao Estado, ESFG aumenta capital

Eudora Ribeiro com Margarida Vaqueiro Lopes
03/02/12 18:05


Ricardo Salgado afirmou hoje que o banco não precisa de recorrer à linha de recapitalização pública.

"O BES não necessita" de recorrer à linha de recapitalização de 12 mil milhões de euros, disse hoje o presidente do BES, recordando que o banco fechou 2011 com um rácio core I de 9,2%, acima da meta de 9% imposta pela ‘troika'.

"Não contamos recorrer às linhas do Estado e estamos a programar um aumento de capital para o Espírito Santo Financial Group (ESFG) ", adiantou Salgado ao falar na conferência de apresentação dos resultados. O ESFG controla, através da Bespar, 35% do BES.

Sobre os prejuízos de 109 milhões de euros em 2011, Salgado considerou que "os resultados não foram nada brilhantes, mas face à actual conjuntura também não foram maus de todo". De resto, Salgado diz que o banco teve "algum mérito" pelo facto de ter sido o que menos prejuízo registou em 2011.

"Tivemos algum mérito, nomeadamente pelo facto de não termos uma exposição elevada a divida soberana, a não ser à portuguesa", afirmou o presidente do banco em conferência de imprensa.

Recorde-se que o BES não tem qualquer exposição à dívida grega, depois de ter vendido cerca de 400 milhões que detinha no início de 2011.

"O banco não tem absolutamente nada na Grécia. Nem exposição à Grécia, nem a Espanha, nem a Itália, nada. Só a Portugal. Somos muito patrióticos", disse o presidente do BES.

Pelo contrário, o presidente do BPI disse ontem que não tinha "nenhum orgulho em ter comprado dívida grega".

Regresso aos lucros

O presidente do BES afirmou hoje que o banco conta voltar a ter lucro no primeiro trimestre de 2012. "Estamos a contar com isso", afirmou Ricardo Salgado quando questionado se o banco conta regressar aos lucros no primeiro trimestre. 

"Estes resultados não podem ser recorrentes portanto acreditamos que voltaremos à rendibilidade", frisou.