Banca

BCP faz oferta de troca e aproxima-se dos 9% nos rácios de capital

Maria Ana Barroso 
23/09/11 00:05


Banco liderado por Carlos Santos Ferreira deverá atingir objectivos da troika antes do final do ano.

Banco liderado por Carlos Santos Ferreira deverá atingir objectivos da troika antes do final do ano.

Banco deverá reforçar os seus fundos próprios em mais de 300 milhões de euros.

O Banco Comercial Português (BCP) lançou ontem uma oferta de troca de emissões que deverá permitir cumprir, quase na totalidade, a exigência da troika de chegar aos 9% de rácio de fundos próprios de base (core Tier 1) até ao final do ano.

A troca de acções preferenciais e dívida subordinada por novos instrumentos de dívida terá como resultado um reforço dos rácios de 40 a 50 pontos base, o equivalente a cerca de 310 milhões de euros de reforço dos fundos próprios. O banco terminou o primeiro semestre com um core Tier 1 de 8,5%. A dimensão efectiva da melhoria dos rácios dependerá do sucesso da oferta.

Ao ir ao mercado comprar esta dívida, o banco liberta capital. A contrapartida, com prémio, são novos títulos de dívida de valor unitário de 50 mil euros "emitidos ao abrigo do seu Euro Note Programme". Na entrega das fracções correspondentes ao montante que os investidores aplicaram nos títulos de dívida originais poderá optar-se entre dívida sénior "com um cupão de 9,25% e um prazo de 3 anos" ou, em alternativa, "instrumentos de dívida subordinada com um cupão de 13% e um prazo de 10 anos". [CORTE_EDIMPRESSA]

"A oferta insere-se na gestão proactiva da estrutura de financiamento e de fundos próprios do grupo, constituindo uma das iniciativas em curso para atingir um rácio de capital core Tier 1 de 9% no final de 2011". À semelhança do restante sector bancário português, a instituição está também a avançar com operações de desalavancagem. E poderá vender activos, como o seu banco na Polónia, já assumido como não estratégico para a instituição liderada por Carlos Santos Ferreira. O BCP anunciou, de resto, estar a analisar propostas de compra da sua operação polaca.

Para evitar reforços de capital, têm sido vários os bancos a avançar com operações semelhantes. Foi o caso do Banco Espírito Santo e, segundo noticiou ontem o Jornal de Negócios, da Caixa Geral de Depósitos. Como explica um analista contactado, a propósito desta operação do BCP, "o banco vai ao mercado comprar dívida que está desvalorizada" face ao seu valor nominal, e consegue uma "optimização de passivos, os tais que estão desvalorizados, e aumento dos rácios de capital".

Os detentores das emissões agora objecto de oferta têm até dia 29 de Setembro para participar na troca. Os resultados da oferta são conhecidos a 30 de Setembro. O Diário Económico não conseguiu confirmar se o resultado desta operação já se vai fazer sentir nas contas do terceiro trimestre do BCP.

BES ataca notícia do FT sobre bancos europeus
Segundo o Financial Times, o Espírito Santo Financial Group (ESFG) e o BCP, instituições portuguesas que tiveram o pior resultado nos ‘stress tests' à banca europeia realizados este ano, estão entre as 16 a quem a Europa está a pedir que acelerem os planos de recapitalização. A notícia cita um responsável francês afirmando que, os bancos que ficaram próximos do limite mínimo para não chumbar nos ‘stress tests' - os que tiveram rácios ‘core tier 1' de 5% e 6% -, têm de conseguir novos fundos imediatamente. Fonte oficial do BES reagiu ontem, ao início da noite. "A notícia do FT, que foi dada por um francês, destina-se a criar uma manobra de diversão para afastar a atenção dos bancos franceses que estão debaixo de fogo pelos mercados". "No que diz respeito ao ESFG é de referir que não é um banco. Só por ignorância pode ser referido como um banco", refere a fonte, acrescentando que "o BES, que é de facto o banco do grupo, registou um resultado nos stress tests que foi o melhor entre os bancos portugueses e um dos melhores a nível ibérico". Recorde-se que os níveis alcançados nos testes pelos bancos referiam-se a cenários extremos e que mesmo esses valores se encontram desactualizados. Todos os bancos portugueses têm vindo a recapitalizar-se, para cumprir os 9% de tier one até final do ano.