Banca

BCP consegue reforço adicional de capital e BES financia-se na China

Maria Ana Barroso e Filipe Alves 
03/10/11 00:05


O BES, liderado por Ricardo Salgado, conseguiu um financiamento de 300 milhões de dólares do seu parceiro China Development Bank.

O BES, liderado por Ricardo Salgado, conseguiu um financiamento de 300 milhões de dólares do seu parceiro China Development Bank.

Banca nacional está a explorar vias alternativas para fortalecer capital e arranjar liquidez.

Os bancos têm novos limites mínimos de rácios de solvabilidade para cumprir até ao final do ano, numa altura em que é cada vez mais difícil justificar junto dos accionistas pedidos de novas injecções de capital. Mas o receio da entrada do Estado nas suas estruturas accionistas faz com que o sector queira evitar a todo o custo a utilização da linha de recapitalização pública de 12 mil milhões de euros.

Para obter liquidez, actualmente praticamente limitada ao BCE e à captação de depósitos, também aqui os bancos buscam alternativas que não passem pela emissão de dívida com garantia do Estado.

No final da semana passada, foi a vez de os dois maiores bancos privados portugueses em activos, BCP e BES anunciarem novas medidas. O BCP decidiu prolongar a oferta de troca de emissões lançada a 22 de Setembro para reforçar o seu capital. Um alargamento que poderá, no limite, permitir ultrapassar os 9% de ‘core tier1' que tem que atingir até ao final do ano com esta operação. Num comunicado emitido sexta-feira, dia em que deveriam ser anunciados os resultados da operação, o banco liderado por Carlos Santos Ferreira explicou que dado o "elevado nível de aceitação da oferta de troca", o prazo para troca vai ser estendido. Os resultados serão anunciados na sexta-feira.[CORTE_EDIMPRESSA]

Tal como estava previsto inicialmente, a oferta de troca de acções preferenciais e dívida subordinada por novos instrumentos de dívida deveria permitir um reforço de fundos próprios superior a 300 milhões de euros e correspondente a cerca de 44 pontos mais de ‘core tier 1' do banco, que estava nos 8,5% no final de Junho. A instituição vem agora dizer que a procura superou a oferta, o que significa que, a confirmar-se o alargamento do montante da operação, o reforço adicional de capitais próprios poderá permitir ao BCP chegar, pelo menos, aos 9% de ‘core tier 1' exigidos ao sector. Isto se o reforço do ‘core tier 1' ultrapassar os 50 pontos base.

A oferta prevê a entrega por parte de investidores institucionais de acções preferenciais e dívida perpétua do banco. Em troca receberão, numa porção correspondente ao investido, novos títulos de dívida de valor unitário de 50 mil euros. Os investidores podem escolher entre dívida sénior com um cupão de 9,25% e prazo de 3 anos ou dívida subordinada com um cupão de 13% e um prazo de 10 anos. Para a entrega de acções preferenciais, diz o BCP em comunicado, a procura atingiu os perto de 723 milhões de euros de intenções de troca de títulos de duas séries distintas para um máximo combinado de 500 milhões de euros. É este montante que o banco quer agora alargar, o que depende da "luz verde" do Banco de Portugal. O acto de ir ao mercado buscar dívida emitida que está desvalorizada, comprando-a abaixo do seu valor de emissão, permitirá libertar capital e outros bancos têm feito operações semelhantes.

Já o BES anunciou sexta-feira ter acordado com o China Development Bank Corporation (CDB) a concessão, pela instituição chinesa, de um empréstimo de médio longo prazo de 300 milhões de dólares (cerca de 224 milhões de euros). O empréstimo concedido, explica o comunicado do banco liderado por Ricardo Salgado, "destina-se a reforçar a capacidade de financiamento do BES" sendo, na prática, uma das poucas operações de financiamento relevante conseguidas pelos bancos nacionais no último ano. E surge no seguimento de uma parceria entre as duas instituições iniciada em 2007, que resultou num memorando de entendimento assinado em Junho para a cooperação "não só no contexto do mercado português, mas também nos países de língua portuguesa, onde o BES está presente". O banco não divulga a que preço foi feito o empréstimo.