A Sonangol e Isabel dos Santos, accionistas da Amorim Energia, querem colocar Pedro Gonçalves, no conselho de administração da Galp.
Sócios de Amorim querem ex-presidente da Soares da Costa para substituir André Ribeiro.
Os accionistas angolanos da Galp - a empresária Isabel dos Santos e a petrolífera Sonangol - querem colocar o ex-presidente da construtora Soares da Costa, Pedro Gonçalves, no conselho de administração da petrolífera, apurou o Diário Económico. O objectivo é que Pedro Gonçalves assuma o cargo ocupado actualmente por André Ribeiro, o administrador nomeado pelos angolanos para a petrolífera nacional.
A Amorim Energia tem direito a indicar dois administradores (André Ribeiro é nomeado pelos angolanos e Carlos Gomes da Silva é sugerido por Américo Amorim). Contactado pelo Diário Económico, Pedro Gonçalves não quis comentar, limitando-se a afirmar que, "para já, estou de férias e não tenho vinculação a nenhum projecto".
O Diário Económico sabe que esta não é única proposta que o ex-presidente da Soares da Costa recebeu. O gestor, que chegou a ter uma relação difícil com os angolanos, enquanto presidente executivo da construtora - e que resultou na paralisação de algumas das obras que a Sonangol tinha com a Soares da Costa em Angola -, tornou-se depois próximo de Manuel Vicente, presidente da Sonangol.
A entrada de Pedro Gonçalves na Galp pode reflectir uma mudança de estratégia por parte dos angolanos, tal como o Diário Económico já tinha avançado na edição de 5 de Julho.[CORTE_EDIMPRESSA]
Accionistas indirectos da Amorim Energia, onde detêm 45%, os angolanos já deram indicações, por mais de uma vez, de quererem entrar directamente no capital da Galp, uma pretensão que não tem tido o aval do seu parceiro de negócios, Américo Amorim. O objectivo dos angolanos mantém-se, mas a estratégia alterou-se, optando por uma via mais diplomática. A contratação de Pedro Gonçalves, um homem com um perfil mais mediático, poderá ser disso demonstrativo.
Fontes próximas do processo garantem que, "anteriormente, os angolanos tinham uma estratégia mais hostil". "Agora estão a optar por serem mais diplomáticos, mas o objectivo é exactamente o mesmo - entrar directamente na Galp", referem.
As mesmas fontes garantem que "André Ribeiro deverá sair para outro cargo na esfera das participações angolanas, decisão justificada pela dificuldade de relacionamento com o presidente da empresa, Manuel Ferreira de Oliveira".
André Ribeiro era administrador da Galp, desde Maio de 2005, sendo responsável pelo segmento de negócio de aprovisionamento, refinação e logística, e pelos serviços corporativos de ambiente, qualidade e segurança. Antes de ingressar na empresa, teve funções de gestão no Credit Suisse First Boston, em Londres, incluindo as de director (2003-2005).
Freitas do Amaral convidado para ‘chairman' da petrolífera
A composição dos órgãos sociais da Galp continua em cima da mesa. Diogo Freitas do Amaral, como o Diário Económico avançou ontem em primeira mão, foi convidado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) para substituir Murteira Nabo enquanto ‘chairman'. A Caixa controla 1% do capital da Galp e representa os interesses do Estado na relação com os accionistas privados: Amorim Energia e os italianos da Eni. De acordo com o parassocial, cabe ao Estado, via CGD, a nomeação do ‘chairman' da companhia. A actual administração da petrolífera está em funções interinas, desde Dezembro de 2010, fruto do impasse accionista, porque o nome de Ferreira de Oliveira, actual presidente executivo não é consensual entre os privados, que têm que estar de acordo neste ponto. Américo Amorim defende o nome de Ferreira de Oliveira, mesmo contra a vontade dos seus sócios angolanos. Uma proposta que a Eni também rejeita.