Paulo Fernandes, CEO da Altri.
Os títulos da Altri fecharam hoje em máximos de mais de três anos, no dia seguinte a ter revelado as contas de 2009. O PSI 20 fechou negativo.
No dia em que o INE revelou que afinal o PIB português contraiu 1% no último trimestre de 2009 face ao mesmo período do ano anterior, o principal índice português fechou com uma queda ligeira de 0,06% para 7.971,78 pontos.
Na Europa o cenário também fechou negativo, com as bolsas a ressentirem-se com a notícia de que os pedidos de subsídio nos Estados Unidos caíram menos do que o esperado na semana passada. Também os receios dos investidores de que a China retire em breve as medidas de estímulo à economia, depois de a inflação no país ter subido mais do que o esperado, pressionou os índices.
Em Lisboa, a Altri e a Portucel foram as grandes estrelas da sessão. Nove dos vinte títulos do PSI 20 fecharam no vermelho, quatro não mexeram de cotação face à sessão de ontem e sete subiram de preço.
ALTRI: os títulos da produtora de pasta de eucalipto dispararam 6,37%, naquela que foi a melhor ‘performance' desde Setembro do ano passado. O preço de fecho, nos 4,96 euros, também corresponde ao mais elevado desde Dezembro de 2007.
O desempenho de hoje é explicado por dois factores, de acordo com um analista consultado pelo Económico.
"Em primeiro lugar, os resultados foram bem recebidos pelo mercado, visto terem sido superiores ao esperado. E em segundo lugar, foi hoje anunciado pela empresa sueca Sodra um aumento dos preços da pasta de papel em 40 dólares, para Abril, o que indicia uma trajectória ascendente nos preços da pasta", comentou o perito.
A empresa anunciou ontem prejuízos de 11 milhões de euros, quando eram esperadas perdas de 12 milhões em 2009.
PORTUCEL: as acções da empresa liderada por Pedro Queiroz Pereira também deram nas vistas com um avanço de 4,8%, também puxadas pelo anúncio de um aumento nos preços da pasta de papel.
EDP RENOVÁVEIS: os títulos da eólica registaram hoje o pior desempenho no PSI 20, com um recuo de 1,83% para cotar nos 5,91 euros, depois de os analistas do Deutsche Bank terem revisto em baixa o preço-alvo para energética de 7,60 para 7,10 euros.
GALP: as acções da petrolífera comandada por Ferreira de Oliveira recuaram 0,36%, a acompanhar a queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais.
PORTUGAL TELECOM: cedeu 0,4% para negociar nos 8,09 euros, no dia em que o Governo aprovou em Conselho de Ministros que as operadoras móveis não vão poder cobrar mais de 50% do preço de um aparelho quando um consumidor quiser desbloquear o seu telemóvel.
CIMPOR: os títulos da cimenteira recuaram 0,53%, no dia em que o Económico avança que o Governo brasileiro tem provas que podem travar a entrada da Votorantim e da Camargo no capital da cimenteira nacional.
MOTA-ENGIL: subiu 3,33% para 3,41 euros, depois de ontem a construtora ter anunciado que ganhou um concurso rodoviário no México, com duração de 30 anos e um valor global de 219 milhões de euros. O Diário Económico avança na edição de hoje, que o consórcio vencedor desta concessão integra, para além da Mota com 70% do capital, a CCR, participada da Brisa, pelo que este negócio vai permitir reforçar a aliança entre as duas empresas portuguesas. Já a Brisa perdeu 1,68% para 6,09 euros.