Governo

Águas de Portugal pode ultrapassar tecto de endividamento

Económico com Lusa 
31/08/10 14:25


Pedro Serra, 'chairman' do grupo Águas de Portugal.

Pedro Serra, 'chairman' do grupo Águas de Portugal.

Ministério do Ambiente anunciou hoje que o grupo está legalmente autorizado a ultrapassar o tecto de 7% fixado para o endividamento das empresas do sector público.

Dulce Pássaro, ministra do Ambiente, disse que a excepção foi determinada sobretudo para que as empresas do grupo possam suportar a contrapartida nacional para investimentos com apoio comunitário.

A ministra falava aos jornalistas na inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Tougues, que serve desde o passado dia 6 de Agosto os municípios da Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

Na cerimónia inaugural, o presidente da AdP, Pedro Serra (na foto), alertara para as dificuldades de financiamento da empresa, facto que a ministra desvalorizou.

A AdP "não corre risco absolutamente nenhum, está sólida e qualificada", respondeu Dulce Pássaro, admitindo que Pedro Serra "talvez não tivesse ainda conhecimento que o grupo foi excepcionado" quando manifestou os seus receios.

Pedro Serra referira-se também às dívidas das autarquias, que disse poderem pôr em risco três mil milhões de investimentos previstos até 2015.

Sem quantificar, a ministra reconheceu que há dívidas "significativas" das autarquias, mas manifestou a sua convicção de elas que "irão encontrar progressivamente a forma de também elas próprias recolherem as receitas para satisfazerem os seus compromissos financeiros".

Referindo-se à inauguração da ETAR de Tougues, a ministra classificou-a como um acontecimento "feliz" para a região, "porque o Vale do Ave foi um grande problema de poluição durante bastante tempo".

"Podemo-nos considerar muito satisfeitos por ele hoje ficar completamente ultrapassado, com tecnologias adequadas, do melhor que há na Europa, com boas condições de operação", acrescentou.

A ETAR de Tougues é uma obra da Águas do Noroeste, uma subsidiária da AdP, e foi dimensionada para tratar 270 litros por segundo.

Faz a desinfecção final por raios ultravioletas, o que permite libertar água utilizável, por exemplo, na rega de espaços ajardinados.

Aproveita o biogás gerado para produzir energia eléctrica equivalente a um terço das necessidades da própria ETAR.

O custo global da obra ultrapassa dos 18 milhões de euros, dos quais 5,5 milhões nas estações elevatórias, situadas no molhe sul e na zona ribeirinha, e nos interceptores, que vão fazer a ligação à ETAR.