Rodrigo Costa

“Acredito que vamos crescer durante este ano”

Rúben Bicho 
24/02/11 00:05


O crescimento será no entanto mais modesto face ao de 2010.

A Zon está preparada para as medidas de austeridade?
Este ano podemos continuar a crescer, de forma mais modesta que no ano anterior, mas com uma perspectiva positiva. O nosso negócio hoje na área da TV é muito acessível. A Internet cada vez faz mais falta, para fins educativos e profissionais. A voz é essencial, estamos numa área de mercado em que não temos de ter preocupações e acreditamos que o mercado vai continuar a expandir. Nos cinemas e audiovisuais estamos seguros.

Em crise é quando as pessoas cortam mais.
Não é bem verdade. Os analistas olham para o quarto trimestre, em que temos resultados mais fracos, mas este também foi o de programação mais fraca. Faltaram os ‘blockbusters', ou seja, tem mais a ver com o tipo de filme do que com a crise. Este ano, sobretudo com os Óscares, vamos ter bons filmes e as pessoas vão voltar ao cinema.

A concorrência vai obrigar a alterar a estratégia comercial?
Vamos assistir a uma dinâmica comercial semelhante de todas as empresas no sector. Não prevemos alterações na realidade competitiva. Temos uma grande vantagem: a internet vai continuar a crescer, e nós capturámos muito desse crescimento. A progressão não vai continuar de forma muito diferente. Somos muito competitivos.[CORTE_EDIMPRESSA]

O crescimento do EBIDTA será dois dígitos?
Desta vez não demos guidance, normalmente no início do ano não o damos por uma questão de precaução. Olhamos para 2011 com alguma precaução, com o avançar do tempo iremos partilhar algum ‘guidance'. Achamos que vamos crescer, acabámos um ciclo muito grande de crescimento, hoje tivemos a preocupação de explicar com detalhe os investimentos que foram feitos, em rede, em sistemas, expandimos todo o ‘backbone', com as redes de fibra óptica praticamente quadruplicámos a capacidade da rede. Olhamos para 2011 e para os anos subsequentes com uma necessidade de investimento menor. Investimos 27% das vendas e achamos que tenderá, nos próximos anos, a ser 15% das vendas, cerca de 150 a 160 milhões de euros de CAPEX.

Para onde vai ser canalizado?
Temos muita confiança do negócio, mas caberá ao Conselho de Administração analisar e recomendar se vamos baixar a dívida ou aumentar a remuneração accionista. Não temos agora perspectiva de fazer investimentos em novos negócios. Temos uma dívida muito confortávelm não temos tido qualquer dificuldade em termos de crédito, e temos uma situação de balanço muito confortável.

Investimentos em novos negócios serão em novas geografias?
Estamos sempre atentos a novas oportunidades. Lançámos o ano passado uma nova operação onde temos 30% do capital, em Angola. O negócio vai avançar para Moçambique e estamos sempre atentos a oportunidades: parcerias ou novos negócios. O nosso critério é investimentos que façam sentido e tragam retorno para os accionistas.

Não sendo necessário reduzir divida, porquê manter os dividendos nos 16 cêntimos?
Tanto a nível de dívida como de dividendos, procuramos não assumir riscos. Isto tem a ver com as nossas políticas, que são conservadoras, sobretudo em termos de dívida. Nos dividendos decidimos propor a manutenção do anterior, o que significa que estamos a apostar que o negócio vai continuar sólido.

Crescem rumores de que Portugal precisará de ajuda externa em Abril. Como vê a situação?
Vivemos uma situação complexa, é crítico que a execução orçamental venha a ser bem cumprida para as coisas não piorarem. Temos de nos concentrar mais pelo lado positivo para ver como aumentamos exportações ou reorganizarmos o país. Os nossos governantes devem tentar reorganizar a forma como funciona o país. Temos um problema, sim, temos de sair dele, com mais ou menos ajuda.