O presidente do BESI, banco assessor da CSN na OPA à Cimpor, considera que a recente entrada da Votorantim na cimenteira é prejudicial para a empresa.
"Acho muito mal para a Cimpor ter como accionista um seu concorrente ao nível internacional. Isso é uma das razões pelas quais se tem inibido o crescimento da Cimpor", afirmou José Maria Ricciardi, presidente do BESI, numa conferência de imprensa.
Sobre o acordo parassocial celebrado entre a Caixa e a Votorantim, Ricciardi sustentou que é uma aliança "a 10 anos" que "pode durar 15 dias", dado que "uma das partes pode ficar sem as acções (Caixa) e a outra pode vender na OPA (Votorantim)".
Para o gestor essa aliança não implica o fim da OPA da CSN. "Não acho que signifique fracasso nenhum. A OPA da CSN é transparente com um preço a dinheiro igual para todos os accionistas", sublinhou.
"Ainda não vi nenhum accionista dizer publicamente que não vende na OPA", acrescentou, lembrando que a CSN pode, até sexta-feira, subir a contrapartida de 5,75 euros e, ao mesmo tempo, mexer na condição mínima de sucesso da oferta, actualmente fixada em 50% do capital da Cimpor mais uma acção.
Ainda sobre a Caixa, Ricciardi revelou que a CSN mostrou-se disponível para celebrar um acordo com o banco público. "A CSN, na minha presença, teve oportunidade de dizer à Caixa que teria disposta a fazer um acordo se a OPA tiver sucesso", adiantou.
Na mesma ocasião, Ricciardi argumentou que com o negócio da Votorantim "não entra nenhum tostão em Portugal, enquanto na OPA poderão entrar alguns biliões de euros em Portugal, que são tão necessários e importantes no momento que atravessamos".
Na sessão de hoje, as acções da Cimpor ficaram inalteradas nos 5,79 euros (ver gráfico).