Banca (act.)

Acções do BES afundam 7% para menos de 1 euro

Mafalda Aguilar 
14/12/11 14:42


BES nunca valeu tão pouco em bolsa.

BES nunca valeu tão pouco em bolsa.

Os títulos do BES afundam mais de 7%, num dia de fortes quedas na banca.

O BES tomba 7,28% para 0,992 euros, o valor mais baixo desde que o banco entrou em bolsa. Esta cotação atira o ‘market cap' do banco liderado por Ricardo salgado para menos de 1,5 mil milhões de euros. O BES regista mesmo a pior prestação no índice da Bloomberg para a banca, que cede 1,3%.

Até ao momento, foram negociados mais de quatro milhões de títulos do BES, acima da liquidez média diária dos últimos 12 meses, que ronda os 3,4 milhões de papéis.

Há quatro sessões consecutivas que o BES sofre quedas acentuadas em bolsa, somando uma desvalorização de 18% nesse período. Desde o início do ano, o banco já desvalorizou 65%.

Mas as quedas estendem-se também aos restantes títulos financeiros do PSI 20, com o BCP a descer 5,36% até aos 0,107 euros, ao mesmo tempo que o BPI cede 4,8% para 0,457 euros. No mesmo sentido, os papéis do Banif descem 5,11% até aos 0,334 euros. 

"Fala-se na intervenção do Estado em alguns bancos e isso acaba por colocar mais pressão sobre o sector financeiro", explicou João de Deus, trader da Dif Broker, ao Económico.

"Os bancos precisam de capitais próprios numa altura em que as condições de financiamento no mercado estão a deteriorar-se", referiu, por sua vez, Pedro Ortigão Correia, especialista do ASK, ao Etv. "O fundo de recapitalização da banca pode aliviar, mas ainda não sabemos quais serão as medidas impostas por essa recapitalização. Pode acontecer que a banca seja estrangulada. Ou seja, é muito importante para os investidores saberem o valor real da banca, da sua exposição à dívida pública", acrescentou.

O ministro das Finanças anunciou hoje que vai alargar em dois anos (para cinco anos) o prazo para que os bancos ajudados pelo Estado evitem a nacionalização. Vítor Gaspar revelou também que a taxa que o Estado vai cobrar à banca pelo recurso ao fundo de recapitalização pública, de 12 mil milhões de euros, vai ser superior à que o próprio Estado paga à troika.