Executivos

“A inovação é um desporto de equipa”

Pedro Quedas 
05/02/12 16:05


A abertura ao multiculturalismo é uma condição essencial à gestão da inovação na conjuntura global actual.

A abertura ao multiculturalismo é uma condição essencial à gestão da inovação na conjuntura global actual.

Oitava edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação, da COTEC Portugal, tem lugar de 7 a 10 de Fevereiro.

A inovação é uma escada positiva para sair do buraco da crise." Quem o diz é Sandro Mendonça, docente do ISCTE envolvido na preparação da oitava edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação (PEGI) da COTEC Portugal. "A inovação permite construir competitividade duradoura em torno dos activos, evitando o recurso exclusivo à concorrência pelos preços e pela compressão dos custos. O desafio actual é evitar que as dificuldades de financiamento e tesouraria ponham em causa o desenvolvimento das forças das empresas e causem uma erosão fatal no produto potencial do país", avisa o professor.

O PEGI, que decorre de 7 a 10 de Fevereiro e é promovido pela COTEC Portugal desde 2008, consiste numa formação intensiva de 30 horas distribuídas em 3,5 dias. A equipa docente conta com professores da Wharton School of Business, do ISEG e do ISCTE. "O curso tem como ambição promover a existência de um sistema eficaz de gestão da investigação, desenvolvimento e inovação (IDI) que permita às organizações alcançar os seus objectivos de IDI, monitorizem as suas actividades e estarem mais bem preparadas para a incerteza e a turbulência que caracterizam a sociedade contemporânea", explica João Caraça, coordenador científico do curso e actual director da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris. Para o professor, é cada vez mais fundamental uma maior cooperação entre as comunidades científica, académica e empresarial, "no sentido de promover o espírito empreendedor, uma atitude de risco e a confiança na inovação por parte dos sistemas de financiamento e de regulação".

Inovação tem de ser avaliada
O investimento na inovação está dependente não só de uma maior interligação entre os vários envolvidos, no que diz respeito à criação de redes colaborativas, tanto locais como globais, mas também de uma aposta na avaliação do impacto da inovação. "A crise global que enfrentamos, justifica, de modo ainda mais premente, a importância de conhecer, através de diagnósticos como o ‘innovation scoring' [da COTEC], e de gerir adequadamente as actividades de inovação, designadamente na óptica dos ciclos de inovação", defende Isabel Caetano.

A directora na COTEC Portugal considera que Portugal tem vindo a fazer um bom trabalho na gestão da inovação, mas é preciso fazer mais. "Se olharmos para as estatísticas, recorrendo por exemplo aos dados do Barómetro de Inovação, vemos que Portugal, em termos de impacto económico, está em 40º lugar no grupo de 52 países analisados", destaca.

Tecnologia e cooperação
Embora a inovação se estenda para além da evolução tecnológica, esta tem tido um crescimento especialmente importante no mundo empresarial moderno. No entanto, é importante compreender que a "tecnologia é basicamente conhecimento. Tal conhecimento está vertido em artefactos, mas assenta sobretudo em ‘know-how' detido por pessoas e por equipas", explica Vítor Corado Simões, do ISEG. "Consequentemente, para avançar tecnologicamente será fundamental dispor de recursos humanos preparados e capazes de dominar as tecnologias estrategicamente relevantes para a empresa".

Assim, temos de procurar uma maior abertura a novos paradigmas, novas comunidades de internautas e padrões de consumo. Modelos de inovação fundados na multidisciplinaridade e no multiculturalismo. Porque as maiores conquistas não se conseguem a trabalhar sozinho. "A inovação é um desporto de equipa", lembra Sandro Mendonça, do ISCTE, uma posição partilhada por Vítor Corado Simões. O docente do ISEG aponta que "necessitamos de colaborar com quem nos ajude a ganhar escala e/ou nos complemente. Necessitamos também de mobilizar os nossos clientes e fornecedores para nos apoiar na procura de novas soluções. A inovação aberta resulta, em larga medida, do reconhecimento destas realidades".