Ooops, ocorreu um erro!

Tente novamente daqui a alguns minutos ou avise o webmaster, por favor.

A PHP Error was encountered

Severity: Warning

Message: array_key_exists() [function.array-key-exists]: The second argument should be either an array or an object

Filename: libraries/redux_auth.php

Line Number: 39

A conferência de Energia do MIT | Económico

Inovação

A conferência de Energia do MIT

António Vidigal 
11/03/10 00:05


Saí de Lisboa debaixo de uma chuva que, este ano, teima em não parar e esperava-me, em Boston, um sol radioso, a propiciar umas corridas ao longo do rio Charles.

O motivo da vinda foi participar na conferência de Energia do MIT, este ano com o tema "Oportunidades, caminhos e soluções" e, em paralelo, actuar como membro do júri do prémio MIT de Energia Renováveis.

Gosto, sempre, destas vindas ao MIT, porque, por todo o lado, se sente um estimulante espírito de empreendorismo. Professores e estudantes misturam-se com os gestores de capital de risco, muitos deles antigos alunos da escola. Portugal tem, sem dúvida, muito a ganhar em ter criado o programa "MIT Portugal".

A conferência tornou-se, em poucos anos, nos Estados Unidos, uma das mais importantes na área da energia, e o que tem de extraordinário é que é totalmente organizada por alunos do "MIT Energy Club", com idades que vão dos 20 aos 22 anos.

Os directores da conferência, escolhidos entre os alunos, mudam todos os anos e têm total liberdade na escolha dos seus conteúdos e formatos. Para este ano, escolheram, entre outros, a energia nuclear, os veículos eléctricos e o impacto da China no desenvolvimento das tecnologias de energia.

Temas da maior importância, pois, como referiu Nobuo Tanaka, director executivo da Agência Internacional de Energia, se quisermos estabilizar o nível de CO2 em 450 partes por milhão - o que implica, mesmo assim, o aumento da temperatura global em 2 graus centígrados - necessitamos de uma verdadeira revolução nas tecnologias do ambiente e da energia, envolvendo investimentos de triliões de dólares.

Porque será necessário, para lá de medidas profundas de eficiência energética, construir daqui até 2030, todos os anos, 18 centrais nucleares, 17.000 turbinas eólicas, duas ou três centrais hídricas de grande dimensão e 94 centrais solares de concentração.

E, como sublinhou Tanaka, se não o fizermos, o objectivo das 450 ppm, não passa de uma mera ficção científica.

Paradoxalmente, quem parece estar melhor posicionado para vencer este desafio é a China. A China é já o maior produtor de energia eléctrica do Mundo e tem-se movido, também no campo da energia, à "velocidade Chinesa". O Governo Central tem uma visão holística das energias limpas, o que permitiu que o País se tenha tornado um líder na energia solar, no vento, no fabrico de baterias e mesmo em energia nuclear. A China tem neste momento 26 centrais nucleares em construção e foi sugerido por Andrew Kadak - professor de engenharia e ciência nuclear no MIT - que os Estados Unidos poderiam importar uma. Seria mais barato do que construir localmente, e a tecnologia é boa, de origem francesa ...

Com os imensos desafios que se nos vão colocar no campo da energia, seria importante que, em Portugal, os alunos universitários, criassem também, um "Clube da Energia". Afinal, quem melhor do que um estudante de 20 anos de idade, nos pode ajudar a encontrar o caminho para um futuro sustentável?
____

António Vidigal, Presidente executivo da EDP Inovação